playlistinha - momentos

  • Ouça o seu silêncio

17 de agosto de 2007

Quero perguntar, mas não sei se quero ouvir a resposta.
Paro ou continuo?
Tens algo bom pra me dizer?
Diga.
Às vezes é bom ouvir coisas boas. Só pra variar um pouquinho.
Finge que não perguntei, apenas diga.
Diga o que vai por aí.
Te faço sentir? Qualquer coisa que seja.
Balanço algum pêndulo aí?
Uma coisa bonitinha a meu respeito e meu dia seria completo.
A minha parte que bate contra o teu muro já não tem tanta força.
Vai se esvaindo a cada "nada".
De repente se fortalece, sabe-se por qual motivo.
E eu sigo. Continuo. Insisto.
E não é pura insistência. É um querer mais que bem querer. (já se ouviu isso antes, em letra de música)
Às vezes danço contigo, a mesma valsinha. E do nada, me pego dançando sozinha.
Pisco um olho, e estás na dança novamente. Depois, desaparece.
Aonde vai? Onde vai parar?
Por que danças comigo vez que outra se a música não te agrada? Me pergunto.
E aí, penso que agrada sim. Só não sabes dizer. Ou não quer dizer.
E por quê? Por que será?
Tens a resposta?
Se tens, pode me dizer?
Se não tens, pode compartilhar a dúvida comigo?
Pega a minha mão e me diz pra onde devo caminhar.
Se me disser: "para longe". Tentarei ir.
Se me disser: "para perto". Eu fico.
Só não me deixa mais sem saber. Eu peço.
Que eu morra, mas morra sabendo o por quê.
Dança comigo?

14 de agosto de 2007

Ainda absorvo os olhares não desviados.
As palavras trocadas, às vezes em compulsão, às vezes em contingência.
Ainda te leio e por vezes te escuto, ao longe, falando baixo.
E como te despes dessa força que só olhos muito mal preparados acham que é real.

Sim, eu ainda acredito no que deixou escapar nas noites aquelas.
Me puxou pra perto e disse sem falar que eu podia entrar.
E mesmo que a porta se abra apenas quando você quer, é bom saber que ela se abre.

Meu olho fala demais, tagarela. Não nega o risquinho de felicidade quando te vê.
E o riso? Tem jeito de rir mais gostoso que isso? Se tem, esqueceram de me contar.
As frases soltas ao mesmo tempo são regidas por sei lá eu quem. Mas não importa, existem.

Penso na diferença, mas me salta aos olhos a semelhança.

E me disse certa vez: "Não te referes nunca a mim com suavidade".
Não? É certo que pensavas assim?
Volta no tempo, nas horas, no vento. E discursa pra mim o meu primeiro texto.

As longas conversas começadas em uma hora qualquer de uma madrugada qualquer chegaram sozinhas, suavemente, como são teus passos.
Daqui e dali, tornou-se natural te ouvir ou ler antes de dormir, ou acordar para te ler e voltar a dormir.
A surpresa e o susto do anúncio de mensagem podiam roubar o sossego, mas trazem uma paz quase como se fosse um abraço.
E é isso. Que eu seja um abraço pra você.
Que você venha quando precisar dele.
Ou de mim.

Preciso tomar um porre homérico de alguma coisa que não engorde!

13 de agosto de 2007

Não fossem eles, os buracos seriam mais profundos.
As lágrimas custariam a secar.
A cor das coisas não passaria de um leve efeito sépia.

Não fossem eles, ajoelhar-me no chão na noite de sábado teria passado em branco e sem graça.
E aquele peso confortável sobre mim no sofá, às gargalhadas, de uma quase felicidade, não teria sublinhado uma boa notícia.

Não fossem eles, todos os meus choros, com razão ou não, jamais seriam substituídos por auto-deboches de alívio.
E eu não faria revelações bombásticas no meio de uma apresentação do Criança Esperança.

Não fossem eles, tua falta seria mais atordoante.
E tua aparição muito menos comemorada.

Não fossem eles, minhas frases seriam mais racionais,
meus olhos, menos brilhantes,
minhas mãos, menos calmas,
meu sorriso, menor.

Não fossem eles, minha capacidade de me refazer estaria gravemente prejudicada.
E minha dose de esperança, atrasada.

Não fossem eles, as contas de telefone seriam menores, mas contariam muito pouco da minha vida.

Não fossem eles e seus abraços risonhos, não seria eu aqui.

Mas, são eles.
São eles que me censuram quando estou prestes a cometer besteiras.
E são eles que me abraçam depois que as cometi, mesmo com toda a censura prévia.

Apesar e independente, sem condição para nada.
Apenas por me amar, eles são eles.

Às nossas boas risadas divididas,
aos nossos motivos sem motivo nenhum,
à nossa tolerância...

*(e claro, aos chás, cafés, purês de abóbora, cigarros, vinhos, narguilés, macarrões com alho... e à eterna torta de limão que não deu certo)

10 de agosto de 2007

O garoto é carregado de rabiscos na alma.
Esbôços de tentativas frustradas.
Debaixo do braço, um bloco de papel de desenho A3. Canetas coloridas e apenas um lápis.
Ele senta, bem à minha frente. Do seu sorriso, vejo saírem notas de um sambinha malandro. Lá de cima do morro.

E começam os traços. Os meus são fortes, e concentram meias-gotas de sorrisos interrompidos.
Ele pára, me olha, e pergunta:arrepende-se?
Penso. Profundamente imergindo meu peito. Arrepender-me? De que maneira?
Arrepender-se é ato de extremos. Posto isso, contei-lhe do dia em que fui embora.
E no que se seguia minha história, seu lápis dançava entre as folhas. O baile do preto no branco. Meu sorriso interrompia o silêncio da tardinha. (hoje, quando fico olhando ela sentadinha ao pé da porta, no sol, sentindo os cheiros que vêm da rua, lembro desse silêncio)

Percebi que fiquei ali por mais tempo que uma lembrança. Agora, já parado de braços cruzados, o moleque ria. Incontido, dentes à mostra, abraçado aos desenhos.
Natural que lhe pagasse por eles. Dou 20. Ele sai assobiando.

Pego os rabiscos que me retratam e silencio - no tanto que tenho para mostrar, o branco dos meus dentes apagam desenhos de mim mesmo.

5 de agosto de 2007

Desexistir
Palavra complexa, comprimida e compreendida à desistência de existir.
Pode desdobrar-se em desresistir, e aí vem a oposição.
Se opor = se pôr contra.
Oponho-me a desistir.
Oponho-me a desexistir. E penso...
Ao todo e ao fim, a vida pode ser uma seqüencia de desexistência.
Pergunte-se quantas coisas desexistem diante das alegrias e desalegrias vividas.
Você é capaz de listar quantas coisas passam a não existir pra você quando estão ligadas a alguma sensação boa que se torna ruim?
Eu poderia relacionar N.
Aquela cor que te lembra quem se foi.
Aquele carro que você passa a evitar porque ele/ela estavam dentro quando você amava.
A música que só de ouvir te traz sensações de uma hora vivida que não se repetirá.
A rua pela qual passavas e pensavas em alguém.
Aos poucos, o mundo vai se limitando à falta de opções.

Zélia nunca mais cantou do mesmo jeito.
Unos vermelhos ficaram somente na lembrança.
A Gota D'água teve seu texto excluído da memória.
Gramado não é mais tão interessante.
O Matterelo? Neste não entro nem em sonho.
O 00 1 na frente de qualquer número de telefone corta o coração.
Coitada da Ana, a Carolina, anda na corda-bamba, cai-não-cai.

Apenas exemplos de como dar a algo/alguém uma representação pode limar da sua vida coisas que eram bem gostosas.
Mas como não fazê-lo?
Como não lembrar de coisas boas quando se quer lembrar de alguém tão bom quanto?

A luta agora é com unhas e dentes para não ter que ignorar o próprio endereço.
Imagina se não der mais pra sair à rua, porque a referência vai ser inevitável?
E os Foxes pretos? Tão simpáticos. Será que vão perder o lugar nas possibilidades automobilísticas?
Os Schnauzers ganharam lugar nos olhares pela rua: ah, que bonitinho... não seria justo voltarem a ser apenas cachorrinhos com cara de mau-humorados, não acha?

Me nego a deixar de sorrir, de dar risada à toa, de gastar fortunas em torpedos para outras operadoras.
Me nego a perder mais referências gostosas.
Me nego a deixar de supor como seria se...
Me nego, e pronto.

Negue, se puder, que isso faz sentido.
Negue, se quiser, que as referências receberam contribuições importantes nos últimos tempos.
Negue, se acreditar, que não faz a menor diferença.

Negue, se negue, se oponha.
Mas não desista, não resista, não desexista daqui.

3 de agosto de 2007

Impossível fechar o olho. Retumbava na cabeça. Bom e ruim, claro, escuro, doce, amargo... Um solfejo de sensações.
Uma paz quase aterrorizante me tomava depois de ser sacudida e suavemente mandada embora.
"Mas não se aproxime de mim", foi a palavra de ordem.
Me transformei em uma caxumba. Ou uma dessas doenças infantis, das quais a gente protege os bebês.
Mas ok, deve valer a pena. O bebê em questão é daqueles fofinhos, de bochecha rosada, que sorri e faz biquinho. Aqueles que você vê e tem inveja da mãe, que pode apertar e dar beijinho na bochecha toda hora. E pensa: "quero pra mim".

A caxumba aqui pode fazer mal. Sim, porque o bebê jamais faria mal à caxumba, ela sabe disso.

Fábula à parte, o "não se aproxime de mim" ainda soa, ressoa, lampeja uma pergunta.

6h57 da manhã, e nada de apagar. A cabeça vazia de tanto pra entender. Não tem problema, não precisa entender... só sente. Sente que pela primeira vez, viu o que havia debaixo da armadura. E foi lindo.

A proposta era honesta, de verdade. Sou capaz de me despir de vontades pra ter a parte boa. E você? não te interessa a parte boa? Talvez não exista parte boa pra você, não é. Só pode ser isso. Bingo.

Só sei que não compreendo teu medo. Nunca tivestes caxumba? Ou teve somente de um lado e teme ter do outro?
Mas lembre-se que dizem que é melhor ter dos dois lados logo. É menos sofrido.

E agora, josé? A festa acabou, a luz apagou...

Não posso deixar de agradecer algumas más impressões que me permitiste desfazer.
Tua guarda a meio-pau quase me permitiu entrar.
Eu insisto na proposta: friendly. Honestamente, friendly.
Solta a rédea. O cavalo sabe o caminho. Ele volta sempre pra casa.

As palavras foram doces, o tom quase sinfônico. E eu vi aquela que eu sabia que morava aí se permitir aparecer. O prazer é todo meu. Encantada em conhecer-te.

Ainda considero a sentença dura demais para um crime não cometido. Vou para a segunda instância.

Have a good weekend... don`t forget to smile.

27 de julho de 2007

Riso mal dado, palavra mal colocada, e o espaço de um telefonema desencanado te coloca na lista mais negra.
O sorriso era terno e foi tido como malícia. A resposta atravessada não demorou nada e iniciava-se o fim. Fim de coisa nenhuma, mas coisa nenhuma que tinha um cheiro gostoso e sabor de abraço.
Já muito mal acostumada a esse sabor de abraço há semanas, quase meses, não acreditei no meu suicídio. Carreguei a arma, mirei bem no peito e bang. Estraçalhei a alma de quem tinha percorrido um caminho construído pedra por pedra com persistência e olhos e ouvidos fechados: eu mesma.
Depois daí, um empilhamento de desencontros verbais. Ninguém se ouvia. A dor veio à tona e mais uma falha crucial - um jogar na cara maldades cometidas. Pronto, se faltava alguma coisa para te jogar fora, eu acabara de fechar o saco e dar dois nós. Noite dura, ainda trouxe um respiro de consideração. Que eu fiz questão de destruir no dia seguinte, com mais uma tentativa de reverso. Maldita insistência que te leva embora.
Tudo foi torto, desde lá no início (mentira, o começo foi bonitinho, adimita). Ainda sim, aqui deste lado, era quase mágico. Palavras pequenininhas, provavelmente saídas daí sem a menor percepção, chegavam como flauta doce. Tola. Tola. Absolutamente tola. Achei que dava.
Mas não achei de graça. Por certo que sabias para que caminho me conduzias quando pegava a minha mão e me levava através dos teus sorrisos. Delicadezas e provocações bem colocadas, na medida para dar e tirar o aperto do peito.
Nunca interpretei tão bem o papel de louca como alí. Verbografando um texto que nem se parecia comigo, segundo amigo muito próximo e ciente.
Friamente, te leio proclamar o veredito: culpada. Eu, é claro. Você jamais adimitiria sê-lo.
O meu veredito? Duas culpadas. Duas verdades. Duas mentiras. Duas línguas. Duas possibilidades. Mas, desta vez, como em muitas outras, a manteiga caiu pra baixo. Na minha frente, nos meus pés.
E eu chorei, com olhos de filhote que vê o leite do outro lado da cerca.
Tudo perdido. E tudo, no caso, era nada. Mas ainda sou mais o meu nada que o seu tudo.
Te acompanhei o tempinho todo atenta, alegre e fingindo que não te via rir de mim.
O teu ir e vir acabou por me arrebatar. É, sou atraída pelas coisas pseudo-boas.
Meu cérebro ignorava todos os "nãos". E como um "não sempre vinha seguido de um "sim", fiquei zonza. Cambaleando entre o não e o talvez.
É justo sair de cena pela vírgula? Ainda te pergunto. Mas já não estás mais lá para responder. Podia ter sido bom, e era. Podia ter sido médio, e era. Só não podia não ter sido. E não está sendo.
Será?
Tua vez...

25 de julho de 2007

Começo a me convencer de que tens razão. Eu não vou conseguir.
As vidas estão acabando, a barra de força ficando vazia.To levando um banho. De água fria.

21 de julho de 2007

Na arte de ir e vir, ela é mestre.
A única coisa que eu posso fazer em determinado momento é rir. Rir de mim, por ficar ali escutando ela me dizer o quão idiota eu sou.
Abri a guarda e as asas. Saí voando e escolhi o lugar do pouso. Mas sem guarda, o bombardeio veio cortante. O primeiro golpe foi meu, de mestre devo lembrar, mas, em compensação, os outros 9 milhões e meio foram dela.
Hoje, levanto a cabeça ainda tonta: alguém anotou a placa do caminhão que passou por cima de mim?

Da bipolaridade geminiana eu já sei o suficiente para esperar ou não reações adversas. Mas bipolaridade geminiana com um toque de sadismo pisciano e uma deliciosa cereja no topo tá sendo uma agradável/desagradável descoberta.
Sou pega no colo pra levar um tapa.
Ja tenho a resposta e o texto para a segunda-feira: estupra, mas não mata, meu anjo!

13 de julho de 2007

Das obsessões por café, cheguei aqui. E hoje, lendo o cabeçalho deste blog, percebi que são muitas as coincidências cafeínicas (ou deveria dizer cafetínicas?) na minha vida.
Talvez porque eu venha da cidade dos cafés. Porto Alegre só perde pra Buenos Aires, deve ter uns 4 cafés por quadra. Um hábito cultuado pelo frio. Pela necessidade de se estar com alguém, tudo é motivo pra um "vamos tomar um café?".

Muitos amores nasceram com uma xícara de café. Muitas brigas terminaram em uma também. Acordos de separação e listas de convidados para casamento devem ter sido feitos aos montes em uma das milhares de mesinhas redondas em mosaico espalhadas pelos pequenos ambientes, geralmente em tons pastéis, que nos acolhem principalmente quando estamos sozinhos. Isso os cafés têm de bom: pode-se ir a eles sozinho e não se sentir incomodado, porque todos sabem que uma pessoa com uma xícara de café nunca está sozinha. No mínimo ela está acompanhada de pensamentos cítricos.

Inspirada pelo amparo do pretinho quente e querido, tenho o costume de relacioná-lo a intimidade, aconchego e sorrisos de canto de olho. Por tanto, nada melhor para se oferecer a alguém que se quer conquistar. E aí, vem a lenda do café. Quantos são marcados e desmarcados? Quantos se tornaram pretextos pra se olhar para os olhos daquela moça que se quer tanto? Quantos foram negados? Muitos, muitos, mas nunca deixaram de ser oferecidos. Convidar para um café é quase como convidar para um abraço. Poucos devem ser levados.
Você ainda faz parte nos cafés negados. Quem sabe uma hora dessas entre para o café lista de casamento, ou apenas o café abraço.

O café deve ser o último símbolo de união humana. Forte ou fraco, que ele nos una.

Ben sussurra "She's only happy in the sun", e eu me pergunto se é verdade.
Você achou o que procurava? Esse sol te liberta?
Toda vez que te ouço rindo, choro.
A sua vida toda foi oi e adeus.

9 de julho de 2007

Já lhe ocorreu que quando coisas ruins acontecem, pode ser que uma coisa boa esteja nascendo?

7 de julho de 2007

O aniversário do meu melhor amigo

Começou assim, um dia antes, na Irene. A expectativa da "passagem".
- Amiga, to pronto pra fazer a passagem.
- Ótimo, quero ir contigo...
Algumas cocas, cafés, cigarros e dois passaralhos, muito bem documentados pela câmera com etiqueta da Cris, e alí estávamos nós fazendo a passagem. Juntos, sorrindo.
Enquanto eu tossia os dois pulmões e a Cris espirrava dentro da bolsa, ele fazia de conta que não esperava nada. Foi o tempo de dois cafés e a meia noite chegou. não dava mais pra voltar... Ele passou. E passou bonito, pele boa, sentindo por dentro como é ter 30 anos. Exatamente no mesmo dia, trinta anos atrás, ainda chorava, com medo desse mundinho que não diz o que quer da gente. Os primeiros quinze eu não vi, mas de lá pra cá, acompanhei cada passo, todos eles dados em direção a uma história lacrimosa e sorridente. Fez muitos, senão todos, felizes. Abriu-se para o mundo mesmo quando o mundo fechava as portas. O meu melhor amigo tem chave-mestra da vida. Cresceu brigando, e hoje me faz sentir grandiosamente importante por existir.
Ele sempre caminhou pra frente, poucas vezes olhou pra trás, não que não pudesse, não precisava. A ficha é limpa, e a alma também. O coração carrega um peso indispensável a quem é um grande homem. Sim, ele é um homem. Mesmo que o sorriso e as lorotas denunciem um menino. Eu me orgulho, de tudo. E tudo, nesse caso, significa muito.
Quero ser você quando eu crescer... Parabéns! Te amo.

3 de julho de 2007

Você está nas paredes. Cor e marcas.
E agora no espaço vazio. Cheio de perguntas.
Já não vai mais haver nenhum café sem ti, mesmo que nunca tenhas estado em algum.
A TV sem as cores se encarregará de representar lembranças. Pretas, mas mais brancas.
Aquele buraco ali, esse vai ficar, pra que eu possa desviar todos os dias e treinar minha precaução.
Esses dois que correm, choram e me amam te amam e choram também. Mas não têm pra onde correr.
As duas você que me olham de cima do móvel não sabem pra onde estão olhando. Elas sorriem um sorriso cheio de esperança e não notaram o coração vazio.
A dor que insististe em fingir que não sentia ficou ali, na porta, esperando pra sair. Eu passo por ela quando chego e quando saio, e ela nem se mexe. Me ignora. Ela me diz que não é minha. É tua. A minha anda comigo, abraçada à minha cintura. Às vezes acho que a perco por instantes quando ando mais rápido pela rua. Mas ela me alcança.
Não quer me largar.
Minha dor me ama mais que você.