playlistinha - momentos

  • Ouça o seu silêncio

30 de junho de 2008

E de repente, me vem a máxima-mínima: "Somos todos sozinhos no mundo".
E se somos, por que esse esforço tremendo e inútil de tentar conviver e viver em sociedade?
Às vezes tenho a impressão de que isso só serve mesmo pra justificar nossa não-aceitação de que sim somos sozinhos.

Não confunda com a bobeira do "nascemos sozinhos, morreremos sozinhos"
BA - LE - LA!
A gente nasce muito bem acompanhado, pelo menos por uma parteira (no último dos casos), sem contar a própria progenitora, que é obrigada por motivos de força maior a estar alí ao nosso lado (ou à nossa frente, atrás... enfim).
A gente vai sendo desacompanhado ao longo do tempo.

As mães, coitadas, nós dão o máximo de ferramentas que podem para seguirmos em frente.
Elas até tentam nos avisar que algumas coisas não serão fáceis. O único problema é que, talvez por cuidado, por amor, elas não nos avisam que ninguém estará ao nosso lado que não quando conveniente for.
Aí você - desavisadinho da estrela - começa a caminhar vida afora. Vez que outra cruza com pessoas que "teoricamente", e neste caso as aspas são absolutamente necessárias, se dizem ao seu lado para o que der e vier... BA-LE-LA-2.
E isso está errado? Você é uma vítima da sociedade? Você é um injustiçado? Você se pergunta...
CLARO que não. Talvez você seja um equivocado, e na pior das hipóteses, um incapaz.

Devia funcionar assim: Devolução divina - você liga pro C.R.E.D.O - Centro de Relacionamento com Deus Oni qualquer coisa - e solicita o formulário de devolução de alma inadaptada.
preenche lá, dados pessoais, maiores micos e roubadas, quantidade de vezes que precisou da ajuda de algum outro ser humano para fazer algo (quanto maior o número neste campo, maior chance do pândego divino te aceitar de volta), e escreve uma cartinha de intenções, que pode ser copiada da minha de quiser:

" Up guy, solicito autorização para me devolver pro Limbo, ou qualquer setor celestial que esteja precisando de elenco.
Sinto decepcioná-lo, mas não dei certo. Acho que me enquadro dentro dos 2% de margem de erro.
E não, não adianta me dar mais chance, o problema é sistemático. Acho que perdi o recall, sei lá.
Pode me mandar pro inferno, se for o caso, dizem as más línguas que lá sempre tem lugar pra mais um...
De qualquer forma, agradeço a oportunidade (é sempre bom agradar o chefe, pra ele achar que vc deu valor pro presente de grego que ganhou), mas não poderei cumprir com o job até o final.
Grata,"


Note que em momento algum afirmei que isso funciona... ´aí vem a BA-LE-LA-3: tave escrito sei lá eu onde: "Peça e serás atendido". HAh... Se nem no Habibi's isso funciona, imagina no carro-alegórico da Vida.

O fato é: tentar não custa nada (ai caramba, e la vem a BA-LE-LA-4, mas vou abrir uma exceção e tentar fazer vc acreditar nisso, senão vou derrubar todas as crenças do mundo e acabo com o parquinho de diversões), de novo, repete comigo: Tentar, não, custa, nadaaaaa.
Mas cá entre nós, você vai é ficar aqui mesmo, se decepcionando diariamente com seus coleguinhas de classe, esperando, quem sabe, aprender a se conformar com o fato de que ninguém, além da sua sombra, caminha ao seu lado.
Desiste de esperar.
Deu merda?
Se f...

E caso você ainda não tenha se dado conta, a culpa é somente sua...

27 de junho de 2008

ando assim

24 de junho de 2008

Ficava sentada na porta da oficina mecânica sentindo o cheiro da tinta.
Azul. Sempre imaginava a tinta azul, não importava a cor que estivessem pintando.
Enquanto atirava pedrinhas de brita no meio da rua, burlava o vento interno que insistia em querer sair.
Meu vento é molhado. Como garoa.
Hoje, enquanto atiro pedrinhas de brita no meio do peito, sinto o vento vindo da chuva.
Não quero mais respostas sobre o que foi posto em dúvida.
A dúvida do outro sobre o que vai no meio de mim incinerou violentamente meu último credo.
Me cala, e toda palavra que minha lágrima consegue produzir é carbonizada.
Sinal de fumaça em vão...
Minha verdade duvidada,
não há querer que resista.

Cala a boca do peito, cala a alma, guarda o que, por descuido, foi deixado ao alcance de mãos inábeis.
Os olhos ainda mexem, batimentos persistem, ainda que fracos, os impulsos não respondem mais.
No monitor do mais forte, além do sinal contínuo, lê-se
f u i d u v i d a d o >>>________________________________________________________________________________________________

Causa mortis: [dor - falência múltipla de argumentos]

20 de junho de 2008

Que estranheza é essa que me enche e me esvazia em intervalos de 32 minutos?
Dói, passa, dói, passa. Convence, questiona, duvida, convence.
Me sinto X-man. A pele dilacera e em horas é como se nada acontecesse, estou la, pronta para ser atingida novamente.

18 de junho de 2008


sem palavras. só sente

"a raridade de preciosidades não determina sua não existência", grita o coração olhando no fundo de um olhar que de tão doce, entorpece.
Fecho os olhos e ainda assim te aprofundas nos meus. Que força é essa que pede licença firmemente para entrar?
Uma gota deixa lentamente o rastro em teu contorno, limitando e definindo aquele ponto/momento como uma porta para esse mundo.
Encontro de mãos. Olhar de encontro. O reencontro. O beijoencontro faz seguro esse lugar. Ai? Aqui? Primeiro lá, depois cá. Desconfio que é pra ficar.
O corpo combina com avelã. Pouco a pouco vou ficando.
Os silêncios conversam em voz alta. E você me pega no colo em palavras e ouvidos. Me embala e faz dormir.
Digna de ser amada? E eu diria predestinada.
Tua mão me salva de mim mesma.
Sem saber, volto a bater em compasso, passo a passo,
passo a passo,
passo
a
passo.

17 de junho de 2008

caminho percorrido é o dividido. do contrário, é só piche comprimido

e assim eu vou agradecendo a Deus e ao universo por estar de mãos dadas a corações que conseguem existir nobremente nas palavras e resistir bravamente aos silêncios...

Vire à direita

Siga em frente

"E eu sei que seu amor mora onde está sua cicatriz"

para promover encontros de lágrimas e sorrisos, vale a pena

ouve mais da moça em

http://www.anneheaton.com/

http://www.myspace.com/anneheaton

biule, biule!

13 de junho de 2008

será que na terra do sol um banho de cheiro faz levitar?

12 de junho de 2008

olho pro meu pulso e nem ele está fazendo sentido pra mim

confissões de um ex-objeto lúdico

Me demiti da tec-toy.
Muito tempo de brinquedo-robô em mão de criança mimada.
Os botões coloridos já não funcionam tão bem e, hoje, quando me desmontam, sempre sobram peças ao remontar.
Sabe como é? Somos uma linha de brinquedinhos que pensam.
Pré-programados para divertir.
Um dia, fica claro que o moleque que tanto se diverte nunca passou um paninho pra te tirar o pó. Nunca verificou se as pilhas estavam gastas. Porque se você morresse da noite pro dia, ah, tanto brinquedo no mundo...
Você pára de funcionar, e ele, em vez de procurar assistência técnica, te deixa no canto da prateleira, afinal, você nem é um computador de verdade,
Pense Bem!

dia 1
Auto-privação de poesia. Tirou férias de mim, e diz que não tem data pra voltar.
Amiga Cris, só para constar, lá se foram os amarelos das borboletas. É temporário, não se preocupe.
De fato, as borboletinhas estão no chão, cortei suas asas. Ação preventiva, elas estavam voando a esmo, sem saber pra onde. Seria irresponsabilidade minha deixá-las assim, Cortei. Optei pela dor antes de perdê-las de vista pra sempre.
Fico deitada no chão sem emitir som, vendo a dificuldade que elas têm para andar. Eu não sabia, mas borboletas amarelas perdem o equilíbrio sem as asas. Uma delas me fita, com um ponto de interrogação entre as antenas, querendo saber se suportarei vê-la sofrer para seguir sozinha.
Não sei. Simplesmente não sei.
Minha poesia de férias me faz pensar. O exame confirmava: é câncer. Havia optado morrer dele, sem reclamar. Já em estágio terminal, resolver combatê-lo requer esforço dobrado.
Queria morrer dele, mas ainda me resta um fio de instinto de sobrevivência.
Felizmente, deves pensar aí.
Será?

11 de junho de 2008


E daí que freira é gente? A congregação expulsa as duas velhinhas basicamente por se comportarem como crianças. Elas foram dar uma arejada e quando voltaram, puft, cadê minha casa? Cadê minha cama? Cadê a comida e as obrigações para com Deus a que estava acostumada há 50 anos?
Cinquenta anos... 50. Praticamente 18.250 dias repetidos. Não é à toa que o nome disso é clausura. Em uma das pesquisas, o Houaiss retorna: vida retirada.
Vocé se retira da vida ou a tem retirada de si? Sim, faz diferença. E pensar que os evangélicos gritam: Jesus liberta!
Onde? Quando? Se para seguir qualquer doutrina que leve ao senhor, precisamos abrir mão de um monte de coisas, fazer isso e aquilo e deixar de fazer outro tanto de coisas?
E melhor, o argumento de protesto das freirinhas é: Não somos prostitutas, não somos violentas, não somos ladras, não somos doentes mentais.
PÁRA TUDO!
Primeiro: a igreja não deveria acolher a todos? Ser piedosa?
Segundo: doentes mentais??????? e desde quando doentes mentais não são dignos de compaixão, abrigo, e convivência?
Ah, tias rebeldes, puxa, não me decepcionem assim. Eu queria ser Carmelita quando era criança. (ok, sei que algumas pessoas devem estar desmaiando com esta informação, mas é verdade).
Eu sei que freiras comem criancinhas, mas apiedei-me (o que a congregação deveria fazer pelas prostitutas, ladras e doentes mentais) dessas carinhas gordinhas. Vocês provavelmente não devem ter culpa, no mínimo deviam comer demais.
O que me chamou atenção nessa história foi o cartazinho equalizando as prostitutas e os doentes mentais aos viuolentos e ladrões.
Tenho certa comoção por prostitutas, confesso. Ou ja fui uma, ou tenho uma guardada aqui dentro.
Mas tenho. Não consigo enxergar o comportamento repulsivo que acomete a maioria. E cá entre nós, este urderground é pra lá de interessante.
Pronto, confissões à parte, ainda temos os doentes mentais. Santíssimo, o que as levou a se desculparem por não o serem?
Antes fossem doentes mentais se desculpando por serem freiras - faria mais sentido, não?
Enfim, talvez de freira, puta ou doente mental, todos tenhamos um pouco.
Rezemos para as freirinhas acorrentadas (aliás, em nenhuma parte do cartaz está escrito que elas não são sadomasoquistas, né?

Pois é.

6 de junho de 2008

biule -

O que aí está não pode durar porque não é nada. -

Álvaro de Campos

3 de junho de 2008

Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está...
Nem desistir nem tentar...
agora...
tanto faz

2 de junho de 2008

O I Ching online diz hoje de manhã, entre outras coisas: "Uma tal situação só pode ter êxito através da suavidade."
A pergunta? Bom, basicamente "e aí, caso ou compro a bicicleta?".
Entre uma lenda e outra, " a linha tênue que pode conter o grande... como o vento que reune nuvens".
Ok, saquei, vai com calma. E como há se falado em vento, brisa, tranquilidade e fuidez nos últimos dias, tá tudo no contexto, I Ching querido.

Há momentos em que SE abandonar é necessário para a própria sobrevivência. Portas e janelas fechadas, gás e luz desligados, tudo fora da tomada, antes de dar a última volta na chave, um segundo, um suspiro, e a certeza pelo menos confortante de que quando, e se, voltar, vai estar tudo ali, dentro.