playlistinha - momentos

  • Ouça o seu silêncio

26 de julho de 2009

"Três pratos de trigo para três tristes tigrinhos"
Lembro dele dizendo esta frase repetidamente, durantes 3 ou 4 temporadas do espetáculo que dividimos pela primeira vez. Ouço, como se fosse ontem.
E ainda não acredito que não existe mais, meu amigo de tantos anos, qua há tanto tempo já não via mesmo estando na quadra de trás.
De lá pra cá, foram 16 anos. Foi meu filho em Champanhe para Mãe Tuda. Lembra? Depois dividimos noites nas Noites em Saigon. Outras tantas leituras e palcos sonhados. Há uns dois anos, chegamos a planejar um reencontro dramático. Não se consumou. E seguiu-se um jantar na casa nova, um café num fim de tarde, uma ajuda informática... e no último aniversário, um desencontro.
Um dia, lá no início de tudo, ele me pegou pela mão e disse: tens que fazer essa peça, porque tu é boa. E me levou. Acho que foi o primeiro que acreditou em mim, no palco. E me ensinava nos seus silêncios. Era extremo em tuto que fazia de arte. E era incrivelmente bom. Por um único motivo: acreditava naquilo.
Meu amigo Mateus. Me deu a Mateusa, uma bruxinha que me acompanhou por anos. Me deu cartas lindas com sua letra tão sua que nem precisavam ser assinadas. Ele escrevia em papéis de pão, sempre que sentia vontade de dizer que amava alguém. Guardo-as até hoje.
Tropeçou na mesma pedra que eu, a autodescrença.
E não deu tempo de tentar de novo.
Doce e branco. Branquinho. Foi soldado na vida real, literalmente.
Não dei tchau. pelo mesmo desencontro do aniversário.
Mas te aplaudi todos os dias em que lembrava de ti.
E se a cortina se abrir outra vez pra mim, será por ti que farei alguém rir.
De pé.

24 de julho de 2009

niverElen

30 de junho de 2009

Mamãe tenta convencer que nada deve doer tanto

Amigos seguram as pontas
do jeito que podem, do jeito que dá
Madonna canta Cherish
pra lembrar coisas boas

E passaram cola na minha mágoa
pregaram um inconformismo aqui

acho que o que define algumas tristezas é  

I'll Always cherish 

24 de junho de 2009

"Existe apenas o que dizemos que sim. Esta decisão usada o tempo todo em filmes infantis em uma vã tentativa de manter a capacidade de crer em si mesmo durante uma posterior vida adulta é verdade absoluta. Por mais tolo que pareça. O que tu não acredita, uma hora deixa de existir, some, vira triângulo das bermudas d’alma e não mais"  Cristiane Lisbôa

1 de junho de 2009

Eu não tenho calma ou paciência.

Não consigo esperar lágrimas secarem, nem dores cessarem.
Evito dores ao máximo, enquanto promovo automachucados.

Eu tenho uma pressa de não sei o quê.
E corro contra um tempo que não é meu.
Atropelo minhas próprias pernas.

não sei esperar. eu quero esperar. me espera?

Percebeu que a cada corte profundo, uma tragédia aérea acontecia. Para lembrar que vidas se acabam num segundo? 

Pensou em sumir, acreditando poder salvar os próximos passageiros da sua vida.
E lembrou o que já sabia: conduzia amores para vidas melhores. 
Chorou, soluçadamente, sua não permanência. 
Ela era o percurso, não o destino.

30 de maio de 2009

Se matava lentamente sem perceber. Jurando que não enfiaria uma faca no peito, dava a cara a tapa diariamente, e ia se enganando. Achando que nao fazia mal morrer devagar.

29 de maio de 2009

Você se sente lutando contra tudo por um nada tão absoluto que somente você mesmo não percebeu.

Se corrompe nos seus maiores princípios de vida por algo que sente entre a boca do estômago e o coração. Se desrespeita e eventualmente desrespeita pessoas as quais ama. Por que mesmo?
Ah, sim, por achar que merece um algo que ninguém disse exatamente que você merecia.
neste momento, você está se dando muita importância. Ou dando importância demais a alguém que não te dá. E, ao mesmo tempo, se tornando um ser abominável mesmo para aqueles que o têm no mais alto grau de amor.

É um autoabandono, pois você começa a viver pelas regras erradas. Deixa as suas de lado, e neste momento sua mãe deve pensar (se soubesse disso tudo): o que esta criatura está fazendo com tudo aquilo que demorei anos para ensinar?
Decepção mundial. Mas nada comparada à decepção interna. 

é a devantagem de ser curvilínia demais. Quando se tropeça e cai, se sai rolando morro abaixo sem parar.

às vezes penso que não há volta, ou pelo menos não enxergo o caminho por onde vim. 
Será que isso é o tal trilhar a estrada? Se for, cara, peguei o mapa errado.
Esse caminho nnao está indo para onde aquela placa indicava.
Aquela lá atrás, onde eu li: Siga seu coração.

E Clarence "Frogman" Henry canta I Don't Know Why... But I Do

Aquele cara vestido de vermelho sentado no seu ombro diz: Se mata e começa de novo.
O de azul retruca: Balela, se fizer isso vai se foder mais ainda.
E você no meio, pensa, consigo mesmo pra não levantar suspeitas: vou matar os dois e seguir sozinha. Já fui bem melhor que isso.

27 de maio de 2009

Horóscopos são mentira. Biscoitos da sorte também.

Quando alguém te diz que tudo vai ficar bem, não acredite. É mentira.
Um bonequinho sorrindo não significa que vale a pena sorrir.
Porque no fundo, as coisas são por um fio. Único e frágil fio, como a teia de uma aranha, que até parece resistente, mas... não é.

Errar é humano? mentira. É desumano. O julgamento é desumano.
Tolere os erros alheios, numa tentativa de ser justo. Mas não espere ser tolerado. não, definitivamente, não espere. 
Nenhum gesto de amor seu sobreviverá ao menor equívoco. Tenha por certo.
E se você não suportar, desapareça, amanhã o sol vai nascer independente da sua presença.

E quando alguém te disser que você é incrível, duvide. Estão apenas tentando te fazer se sentir melhor. A verdade é bem mais dura que isso, anjinho.

Não erre, não erre, não erre por nada deste mundo. Quanto menor o erro, maior o preço.
Erro bobo é coisa de principiante... merece punição dobrada.

5 de maio de 2009

I suposed to be _ _ _ _ _ , but I'm not.

As luzes daqui da sala estiveram apagadas o dia inteiro. Eu tenho desejado por isso há muito. Detesto lâmpadas corporativas como se fossem bifes de fígado. Meus olhos ardem, vejo pontinhos pretos a partir das 3 da tarde e confesso, o escuro me atrai. Me deixa menos qualquer coisa ruim que eu esteja sentindo.
Concluí que não sou nada. E na categoria de nada, posso voltar a querer ser tudo, exatamente como quando tinha uns 12 anos. Fui fazer aula de teatro no colégio, e foi lá que me apaixonei pelo escuro (sem sacanagem).
Ficava sentada horas na platéia vazia. Sentindo o cheiro do chão e das paredes. Sim, teatros têm cheiros específicos. Cheiros de histórias. Cheiros de transformações. E às vezes, cheiros de gente perfumada que passou por ali também.
Sempre me encantou que cada espetáculo, logo que começava, exalava um perfume próprio, que vinha diretamente do palco.
Vários diferentes, mas em algum momento, todos se pareciam. Viraram minha referência de fantasia.
E mesmo que durante os 10 anos seguintes aquela fantasia fosse minha plena realidade, a de ser várias coisas ao mesmo tempo, ainda confundo as duas coisas.
É a atmosfera que me comove, e me ganha sobre qualquer coisa na vida.
Estar ali, na platéia, no palco, na cabine ou onde ninguém sabe, muda minha perspectiva. Enche imediatamente o meu peito de bolhas de sabão. 
Lembrei disso pelo escuro. Que ganhou essa colorida referência na minha vida. Diz minha mãe que desde sempre gostei dele.
Assim como chuva, dia nublado, noite, fim de semana, viagens e metrô. Onde todos parecem se transformar na mesma coisa: nada muito específico. 
Me gusta.



22 de abril de 2009

Daqui do meio não se vê muito.

Diariamente meio cá, meio lá, escrevia.
Deixava recados em caixas-postais desconhecidas.
Alou, precisava falar com você, mas já que não está disponível, deixo dito.
Desligava e se perguntava se era válido perder algo importante que tinha, mas não conseguia ter por inteiro por causa de algo que não tinha, mas não conseguia não ter por inteiro.
E percebeu que de repente, se perdesse o que tinha, conseguiria enfim perder o que não tinha.
E poderia em paz ser capaz de possuir e cuidar... de um nada 100% quitado.

Abriu a janela, sentiu o vento e pensou em voar. Mas estava sem saldo com Deus pra pagar a passagem.

27 de março de 2009

Alguém Que Te Faz Sorrir

Nunca imaginei que fosse gostar disso. Um dia prestei atenção, achei bonitinho. (só pra embalar)

26 de março de 2009

carta sobre como vão as coisas - a quem possa interessar- deste planeta ou de outros

Não sei onde isso começou, mas noto uma falta de afinidade com o estado de consciência conhecido como "feliz" pela minha pessoa.

Se meu analista existisse, diria que cheguei ao nó. E agora vem a caminhada para desfazê-lo.
O trem das coisas marcha lenta, mas continuamente, em frente. Nas últimas 48 horas, tudo corre bem. Nenhum conflito de ordem prática ou existencial. E deve ser esta a razão de uma angústia ansiosa em meu peito 48.
Não posso dizer que estou feliz, pois algumas coisas não estão como tanto queria. Mas estou calma, em relação a quase tudo. E isso me desespera.
O estado de tormenta me acostumou mal. Não reconheço mais manhãs acordadas sem dor no estômago. Hoje não tenho motivo pra querer sumir. Mesmo que ainda queira experimentar essa sensação de testar a "quem" faria falta.
Ao passo que gosto disso, me assusta. Aprendi a existir em estado de tensão.
E isso faz com que meu período de paz interna seja gasto esperando a tensão voltar.

Alcançado o ponto de reconhecimento, segue uma minipréconclusão.

Talvez o bicho seja menos feio do que parece e ainda não tenha percebido que "com muito esforço interno", consegui conformar meu coração. Gosto da situação confortável, mesmo que meu lado rebelde se pergunte se é assim que quero viver.

Meu amor (todos eles, inclusive o próprio) transcendeu. E acho que pode ser a prova da vida após a morte.
Só me vem uma palavra neste momento: Etéreo.
É como continuar existindo tão vivo e forte como nunca, mas sem imaginar o que vai ser.
Quero passar uns tempos assim, sem esperar nada de coisa nenhuma nem ninguém.
Tenho tomado gosto por essa coisa de viver o momento em vez de planejar o amanhã, mesmo que demore pra me reconhecer.
E viver mesmo, de fato, ao extremo. Se vai dar certo, não sei.
O importante é que vou (ops, vai) dar.
Levantei bandeira branca para o que faz diferença na minha vida, para o que e quem mexe no meu coração, e por que não, no meu corpinho.
Vou ser eu por uns tempos tá?
Uma eu que, encantando ou não, vai fazer mais bem a quem amo.
No bilhete na porta está escrito: Entre e saia todas as vezes que sentir vontade de estar comigo. Mas não deixe de entrar!
A única coisa que posso garantir é que "vai ser muito, muito bom". Por um único motivo:
Dei férias pro amanhã, ah, e demiti o por quê!
 

16 de março de 2009

Acho que hoje vou sonhar com o demônio, de tanto feijão que comi.

Mas, pra quem um dia botou o pacote de louro todo no pretinho, fazer o melhor feijãozinho do mundo como eu mesminha fiz hoje, tá lindo!

Ainda estou sob o efeito Ney. Foi tão lindo o presente de aniversário que ganhei do amigo. Depois de algumas turbulências existenciais, ter ficado frente àquela luz incrível, me trouxe meu mundo, que teimo em afastar de mim. Ney canta, e é impressionante como cada palavra naquela voz toca no fundo da gente. Mesmo gente sem fundo como eu.

E pensar que a GPSca nos fez parar no Sesc Interlagos em vez do Citibank hall e quase chegamos atrasados. Detalhes bem pequenos.

Amanhã estou voltando pro mundo após uma longa jornada estrada afora. E mim adentro.

Oi demônio, resolveste aparecer antes de eu dormir? Estou tendo visões. feijolucinações. Pode vir quente que sou mais feia que tu.

Melhor ir pro banho. Esta semana número 32 se apresentou a mim, sem muitas honras, mas reclamando seu espaço.

Nunca mais quero ouvir falar em feijão.

P.S.: Meus sapatos têm areia, minha boca tem saudade, minha alma tá em silêncio e meu coração ainda leva o mesmo conteúdo. Repaginado. E talvez mais bonito. Porque dizem que o sal da lágrima é verniz pro amor. (quem diz sou eu, mas valoriza atribuir o ditado ao popular).

boa sorte, boa noite

26 de fevereiro de 2009

15 horas de calor, chuva, congestionamento. Mas tambem lugares lindos, chuva e sol na serra, sol e chuva na planicie.

Dois tercos da viagem percorridos e quase me virei do avesso de tanto passar mal. Agua na cabeca e a mao santa daquele que estava ali do lado fizeram tudo melhorar. E mais chuva, porque ter essa imagem bem no meio das pernas nao eh de graca, diz o Cara la de cima. Ta pensando que eh facil assim?

Mas valeu, eh assim que quero estar. Podia ser melhor? Podia. Mas, ta bon, ta bon, ta bon.

Floripa 22fev09