playlistinha - momentos

  • Ouça o seu silêncio

16 de setembro de 2008

Aquela gente encantada que chegava e seguia

Era disso que eu tinha medo
Do que não ficava pra sempre

15 de setembro de 2008

Por vezes queria sair de dentro de mim.

Por certo você já sentiu isso também.
Sair mesmo, olhar de fora. Sentir de fora.
Me libertar dos péssimos hábitos que não consigo deixar de praticar, físicos e emocionais. 
Você deve estar pensando: ué, basta mudar o que não gosta.
Aí é que está. Há coisas que são intrínsecas. Não basta simplesmente decidir mudar. Fazem parte de você. 
Para tanto, sair de sí, pelo menos por algumas horas, ajudaria e muito.
Continuo fazendo coisas que não quero. 
E sabe? Não sei ser diferente disso. Não sei se dói mais me agredir ou me sentir agredindo.
E muito provavelmente, esta noite eu vá dormir mais uma vez pedindo para conseguir ser forte.
Ser forte, contra mim mesma, só isso.
E não, eu não sei a resposta pra essa pergunta. Eu não sei o que me impede. E não pense que não procuro saber... procuro dioturnamente. 
Me vasculho e me venço pelo cansaço.
Não foi hoje, quem sabe amanhã...

11 de setembro de 2008

 Apenas a imagem personifica a existência de algo que é melhor fingirmos não existir? 

8 de setembro de 2008

Tenho apoiado alguns momentos de paz em determinados cheiros. Coisas bobas, dia desses percebi um diferente no ar. Em princípio, não podia dizer que era um cheiro ótimo, pelo contrário, um perfume daqueles que "fica", sabe? Quase algo parecido com gente que pega ônibus de banho tomado... Sei lá, sabonete de quinta. O fato é: por algum motivo, sentir esse cheiro me fazia ficar mais calma. Nesses dias de uma angústia retumbante, sentir-se calma por dois segundos vale um bilhete de loteria.

Parei pra pensar a respeito. No dia seguinte, ao sentir o tal perfume já me veio algo de uma tranquilidade infantil. Percebi que era o menino que senta do meu lado que trocou de perfume, sei lá, mas de uma semana pra cá está usando este cheiro diariamente.
O engraçado é que agora, todo dia, fico esperando sentir o perfume pra me lembrar de algumas coisas boas. 
E penso: como pode um simples cheiro reprogramar sensações?
Há cheiros que me lembram pessoas, alguns entristecem, pois lembram o que não se tem mais. Outros lembram momentos, bons de relembrar. Outros ainda, lembram de quem você é. Sim, te fazem lembrar características, gostos, sentimentos que você tem e que talvez estivessem meio esquecidos.
Nosso nariz faz parte das nossas emoções, e é meio mágico o fato de ele poder ser despertado nos lugares e momentos mais inesperados. 
Quando sentir algo que te faça sentir bem, não perca a oportunidade de se deixar levar praquele sentimento. A gente sabe que passa, mas algumas lembranças são impagáveis.

4 de setembro de 2008

Penso no processo de cicatrização. 

Aquela coisa toda de funcionar de dentro pra fora. Tal qual um corte de larga escala, profundo. Que às vezes precisa de um dreno pra ajudar. Pois, se fecha por fora antes de cicatrizar por dentro, o efeito exponencial prevalece. Sabe? Vai acumulando, e quanto mais tem e não sai, mais produz. Pensava nisso, ouvindo a saga de um amigo que passou por um procedimento cirúrgico recentemente. Ele contando da via crucis pra fechar o tal cortinho, de onde saiu uma bola de ping-pong. Sobrou um espaço vazio, que ainda não "realizou" o fato de que a bolinha saiu. Fica lá, produzindo secreção, na tentativa de preencher o espaço. A pele (mais superficial) até ameaça fechar-se, o que só piora. E por dentro, um vazio inconformado. Ele se abriu de novo, mais um dreno, e agora, a expectativa de vencer o buraco pelo cansaço. Uma hora cansa e se conforma, a bolinha não vai voltar e não há o que preencha o vazio.
Nosso "corpo" emocional deve funcionar do mesmo jeito. Não adianta tentar o processo de cicatrização de fora pra dentro. Penso eu que até ajuda, um estímulo, vá lá. Mas sometimes, é melhor assumir o corte, por mais profundo que seja, que fique exposto. O dreno é o entendimento. Cada vez que entendemos um pouco o que acontece, jogamos pra fora a produção excessiva de sentimento (que aqui pode ser representado por amor, mágoa, incompreensão, tristeza, etc.). Vamos entendendo alguns porquês (drenando) e calmamente, embora doloridamente, curando o machucado.
Isso nada tem a ver com esquecer, ou passar por cima de coisas que nos machucaram, mas tem a ver com conviver com aquilo (o buraco). Tem a ver com aceitar. Tem a ver com compreender.
É a chamada tentativa. De ir adiante, de não esquecer e sim considerar que fez parte de nós. A bolinha teve um porque de estar lá. E como dizia uma amiga muito importante: Só não acostume com a dor. Só não acostume com a dor.
Mas sabe, o segredo de não acostumar com a dor, é entendê-la.
A cicatriz se encarrega de te lembrar que você viveu. E dolorida ou não, faz a diferença no que você vai ser amanhã.

3 de setembro de 2008

O site da amiga expõe uma tal discussão (uma moderna qualquer reclamou dos assuntos recorrentes, que ela mesma classificou, talvez por falta de vocabulário, como "mesmice". Bombou, e é aí que fica bom. vendo o povo se mexer pra opinar... É a semente do destacar-se...

Eu? ihhhhh (como diria Haydee, que faz um Curry dos deuses)... vi o circo pegando fogo e pus minha palhinha... Ihhhhhhhhh

E viva a polêmica, de que são feitas as pessoas que fazem alguma diferença. Beuli, beuli. Narrar a vida, com suas "maldezas" e "beldades", por fim acaba incorrendo no MESMO. Vivemos a repetição né, a diferença real está em reconhecer a diferente emoção que cada repetição nos propõe. é o que diferencia aquele que aproveita a vida, e aquele que só passa por ela. Ainda bem que repetes todos os dias nossa amizade... saca?

1 de setembro de 2008

o que é definitivo?

As pessoas morrem,

às vezes ou quase sempre.

Eu tenho medo
de ir sem que você saiba
ou ficar sem ter sabido.

Ningúem me viu chorar.

Cada vez que alguém se vai,
penso na palavras.
Nas não ditas
e nas ditas não-ouvidas.

Quando alguém se vai, se vai.
Não há o que se diga que a faça voltar.
Aí, não há arrependimento ou vontade
que não dita seja verdade.

Quando eu me for
porque, sim, também um dia vou,
por certo, vou te levar na alma.

Pois, se passaste a vida comigo,
dito ou não dito,
fostes amor.

*se aceitas um conselho,
amanhã pode ser tarde
apenas diga
sempre.
ƒaz bem não deixar passar
aos 30, aos 50, aos 80
tanto faz.
Não deixe que ninguém se vá
sem saber
são poucas as vezes
que o tempo vai parar pra você.

As pessoas morrem,
às vezes ou quase sempre
por motivo ou acidente
a avó, a mãe, a irmã... o amor
não espere querer ter falado
porque...

choro são palavras condensadas
... e uma pitada de sal.

27 de agosto de 2008

_ Não sofre.

_ Mãe, acho que já sofri. Desta vez é tão triste que tô oca.
_ Oca? (silêncio) Puta merda, minha filha.
.

Acho que naquele silêncio, ela deve ter se reconhecido em algum momento da vida. E quase pude sentir o seu pesar. E percebi o quão forte era o que eu estava dizendo. Mas era a verdade.

26 de agosto de 2008

Ia descendo a rua, pensando no som do nada. Ia respirando o vento da noite, como se eu tivesse sido privada dela por anos. Ele passa por mim, cabelos compridos, lisos, camiseta vermelha desbotada, calça de moleton azul-marinho e chinelo de dedo. E barba, sim.

Olhei por dois segundos. Passou. E segui a descida certa daquilo: Jesus passou por mim!
nem me pediu esmola, como acredita o melhor amigo, nem deu uma gargalhada na minha cara, como insiste em afirmar a amiga.
Apenas passou, como quem diz: só pra tu saber, ando por aí.

Depois que Juliana viu o Bin Laden dirigindo um Fiat 147 na radial, por que exatamente eu duvidaria do que vi?

E se o Filho do pândego resolveu cruzar o meu caminho, naquele dia principalmente, deve ter sido apenas para me fazer ter a sensação de que Vai ficar tudo bem. Não fosse isso, ele teria me pedido a tal esmola, pra me testar.

Será Je? Bem sabes tu que nunca te dei muito crédito. Não que não mereças, te conheço tão pouco, não posso te julgar, mas a verdade é que sempre preferi ir direto a quem manda. 

Enfim, sendo ou não sendo tu naquele dia, me fez pensar.

Hoje, indo pro consultório onde receberia a sentença anual, vi aquela senhora que mora no ponto de ônibus da Caio Prado. E entre todos os pensamentos que me tomam sempre que deparo com algo assim, me foi mais forte questionar todo amor que se dá e que não é recebido, e que fica alí, sem função, por simples desistência. 

Ando vazia de tudo. E é justamente esse vazio que me preenche. 
a 'águamá" ainda tá aqui, e acho que vai lavar o que tenho por dentro.
E por mais "águamá" que tenha, sinto... e muito.

25 de agosto de 2008

Mágoa deveria vir de Mágua = água má. 



Se o caminho de volta para a sanidade passa pela loucura, ela treina para se salvar. Porque, enfim, quer.

Marta reza ininterruptamente, de 15 em 15 minutos, há 69 horas.
Não uma reza para uma entidade específica. Mas um afirmar repetido para não perder o controle.
Quase um ritual, ou um Transtorno Obsessivo Compulsivo (como diriam lá pros lados da "Saúde"): pensa em pensar (ou algo a lembra), o estômago ameaça doer, a luz vermelha acende, relembra o porquê, repete, repete, repete, às vezes com as exatas palavras; neste instante consegue reduzir o coração para 70/80. 
Engole a saliva e, apesar de ser triste, respira leve. E consegue se reconhecer lá dentro.
Até daqui 15 minutos, ou em edição extraodinária que a desacalme.
Talvez não esqueça, mas vai acreditar que esqueceu.
E vai ser assim, até que deixe de ser.


... E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia."

C.L.

Sorte de hoje: Você viajará para muito longe


* deus te leia, deus te leia

tudo devia ser mais divertido, né?






23 de agosto de 2008

Esta noite vou rezar, pra qualquer coisa, pra qualquer pessoa, pra qualquer deus. Pra que eu possa dormir e esquecer que acreditei.

21 de agosto de 2008

A palavra da vez é Oscilar.

Tal qual pêndulo, de lado a outro, ou o coração a pulsar. TUMTUM, tumtum, TUMTUM, tumtum.
TUMTUM - estou aqui; certa paz
tumtum - não estou aqui; dor no estômago
Particularmanete, me agrada o TUMTUM. O outro me dá medo. Porque quando bate o "não estou aqui" parece que podem fazer de mim o que bem querem.
Indefesa. Fico a mercê das minhas dores que eu mesma causei. Que eu mesma deixo ou não me atingirem.
Estou há dias redigindo a carta de demissão de tais dores. Nela, considerei justa causa. Antes fosse abandono de emprego, mas ainda assim as demitirei.
Paralelo, estou no último "parágrafo único" que me reserva o direito de não querer que o tumtum mande em mim.
E o pêndulo vai...
E o pêndulo vem...
Como na brincadeira de Passa Anel, estico as mãos e rezo em voz alta para que nesta passada, venham as minhas vontades e decisões. Pro meio das mãos. 
Dá-me que o filho é meu.
Ogunhê meu pai, luz! [como me ensinou Patsy Cecato, pro caso de chutar macumba]