playlistinha - momentos

  • Ouça o seu silêncio

6 de dezembro de 2007

Meus olhos não permitem uma gota caída por medo que me eu me afogue em minha própria lágrima.
Minha letra rabiscada descreve o sorriso largo que me faz lembrar os doces olhos e o som da voz.
Certo dia, esses olhos cruzaram meu caminho.

O que será que me dá que me bole por dentro
Será que me dá

Certo dia, vi o sorriso se abrindo como lentamente olhos abrem sonolentos pela manhã depois de um sonho esperado.
Que brota a flor da pele será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar

Certo dia, ouvi a voz. Suaves primeiras palavras. Conheci o primeiro tom: tímido.
Segui vendo ao longe.
Certo dia, um olá.
Um convite aceito de susto. A vergonha na cara que me faltou me mostrou o caminho.
Era isso. Era exatamente isso.
Certo dia, o telefone tocou.
E tocou novamente. E de novo.
E entre graças, ninguém percebeu.
O pó mágico teu e meu.
As noites brilham mais desde lá.
E brilham, todos sabem, todos vêem.
Negativas. Quantas negativas combatidas lá e cá.
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar

De tantas pedrinhas ladrilhadas, nenhum olhar nunca quis mentir.
O que não tem mais jeito de dissimular

A chuva que chora lá fora faz lembrar as primeiras lágrimas que tanto me encantaram.
Acho que te amei alí.
A capa dura não escondeu de meus olhos, que fingem olhar pra onde não se sabe, essa fragilidade.
Desejei alí.
E que nem é direito ninguém recusar

Perdi teus olhos de vista tantas vezes que perdi a conta.
Um anjo que insiste em voar sobre nós trazia de volta. Ele pleiteia suas asas por nós. Num céu de algodão.
De algodão teus lábios nos meus. Noite inesperada. Noite improvável. Incompreensivelmente provável aos olhos do anjinho.
E que me faz mendigo me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita

Pequenas confissões.
Esse coração que se parte e se refaz, movimento interminável.
Não teve jeito.
O caminho era de encontro. Tentativas de desvio em vão.
Mas pra quê?
Pra que desviar do que nos faz sorrir de doer a barriga?
Certo dia, dormiu em meu colo.
Arrisco achar que ali você sentiu.
Tão protegida se desprotegeu.
Meus minutos viraram horas.
E teu sono consegue ser mais lindo que a palavra que o descreve.
Certo dia, de repente, a distância-ausência aproximou tudo...
O que será que será
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente que é revelia
Que é feito aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia

E foi um pouco tão muito que não se aguentou em si.
Desordenadamente, o sentimento mais intenso, dolorido e apaixonante justamente por ser de uma suavidade brutal calou.
Esse "nosso" não se escreve. Esse "nosso" mora nos olhinhos ora verdes ora de mel, mora nesse espaço que vai daqui até aí.
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos toda alquimia
Que nem todos os santos será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá
O que não tem limite

Essa saudade que não permite ausência.
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem juízo


Boa noite, bom dia, boa noite, bom dia, boa noite...
Boa noite e bom dia são encontros. Lindos encontros como você.

1 de dezembro de 2007

Duas da manhã. Hoje, o trabalho foi daqueles que dá mais prazer que trabalho. Um livro lindo, que vai ser um estouro. Revisei, devorando em pequenas horas.
Djavan cantando louco aqui atrás. E há neste mundo musical quem cante coisas de amor tão leve quanto ele? Eu quero ser uma música do Djavan.

Vou dormir, há uma moça meditando na Índia há meses, esperando para ser lida. Devo isso a ela, e farei já.

"Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro. Teu olhar não me diz exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro."

Djavan é foda. Podia ser qualquer canção, mas deixo esta nesta noite.... corre solta musiquinha.

Boa noite,

30 de novembro de 2007

coração pode ser apenas uma iguaria servida no espeto - ou - as coisas são o que são, tá tudo certo

De repente, você percebe que sua importância é menor que a de um omelete.
Não vem ao caso. Mas dói.
Não adianta querer entender. Você não vai. Porque não vão te permitir.
E quem te disse que tens direito a alguma coisa, menininha. Acorda!
E foi assim, e é assim. Se você cansar de brincar, levante-se e vá embora. Não importa se há outra pessoa à sua frente.
Essa poderia ser a lição número 29 do manual "Como Desprezar Qualquer coisa que Não te Importe".
Mas não é.
Isso é simplesmente o modo como você jamais deveria esperar ser tratado por quem um dia te disse: "Gosto tanto de ti". (ou talvez seja o que todos nós deveríamos fazer, se assim sentirmos)
Mas acreditar em tudo que se ouve é coisa de criança de 5 anos. Tudo bem, ano que vem, completo 6.

Vozz (nome dado carinhosamente ao amigo que sempre me diz as coisas mais duras e sinceras - duras por serem sinceras e sinceras por serem duras, enfim) me diz: Ninguém tem importância para ninguém, porque entre você e eu, antes venho eu.
Sábias palavras, Vozz.
Eu: Tá. (desculpem-me, neste momento não consegui dizer mais nada. Vozz sempre me derruba)


Levantei daquela mesa - depois de ter ficado olhando aqueles olhos que já tanto eu havia admirado em outras situações, mas que desta vez espelhavam um outro tom, quase incomodados por terem de me olhar - me sentindo ao mesmo tempo em pedaços e liberta. Eu também sofria. Eu também estava desconfortável. Mas eu estava ali, disposta a viver. Tentei me permitir viver uma coisa que nem eu conhecia, simplesmente por acreditar que valia a pena. Mas também não consegui. Vale a pena se apaixonar, vale a pena gostar, vale a pena viver isso, dure o que durar. O que não vale é acharmos que estamos vivendo algo que nem nos demos o trabalho de nos permitir viver.
E foi isso. E é isso.
E é quando se percebe que se esteve sozinho o tempo todo.
A proposta era em dupla, mas a dupla se protegeu tanto de si mesma que sequer aproveitou o pouco de carinho que deixava escapar.

Das piores coisas, não poder contar as vezes que lembrar de você ao ver algo na rua talvez seja a mais triste.
Sentir o perfume trazido por uma brisa no meio da tarde e não poder ligar e ouvir a voz.
Coisas primárias que se sente quando se tem alguém no coração.
Lembrar das coisas que se viveu, ainda que poucas, não nos protege de sentir saudade das tantas outras que não tiveram oportunidade de acontecer.
O telefone não vai mais tocar pela manhã com um bom dia, ora risonho ora sério. O celular não vai mais apitar no meio da noite ou em momentos inesperados com uma mensagem que traga um sorriso imediato aos lábios.
Não vou mais te ouvir rir no meio da madrugada, ao telefone. Diga-se de passagem, boas risadas.

E o porquê disso é simples: me convencestes de que onde achei que havia algo não existia nada.

Choro engolido, uso o diafragma para respirar e levantar. Decida esquecer, me digo eu mesma.
É sobrenatural para pessoas como eu esquecer coisas mal resolvidas.
Não estou no mundo para adquirir Karma. Não sigo caminhando simplesmente ao deixar coisas não ditas para trás.
Desta vez, a exceção, talvez não haja nada para ser dito.

A força com que o maxilar cerrado pressiona o peito determina:
Me guardo agora, dentro da menor caixinha de fósforos que encontrar. E quem sabe eu aprendo com você a não me importar com o que não tem importância.

Depois de passar pelos espinhos, a descoberta: o cactus não tinha água.

A história foi linda, e apesar de você, te guardo.

Enfim, nada disso importa. Aviões continuarão caindo. As calotas polares continuam derretendo, e os pingüins manchados de óleo se abraçam.

Ogunhê, meu pai. LUZ!

29 de novembro de 2007

ele já disse...

"Quando é mais penoso compreender tudo, tomar consciência de todas as impossibilidades, de todos os muros de pedra; porém não se humilhar diante de nenhuma dessas impossibilidades, diante de nenhuma dessas muralhas se isso te repugna, chegar, seguindo as deduções lógicas mais inelutáveis, às conclusões mais desesperadoras, no tocante a esse tema eterno de tua parte de responsabilidade nessa muralha de pedra, se bem que esteja claro até a evidência que tu não estás aqui para nada, e em conseqüência mergulhares silenciosamente, mas rangendo deliciosamente os dentes, na tua inércia, pensando que não podes mesmo te revoltar contra seja o que for, porque não há ninguém em suma, porque isto não é senão uma farsa, senão uma falcatrua, porque é uma trapalhada, não se sabe o quê nem se sabe quem, porém que, malgrado todas essas velhacadas, malgrado essa ignorância, tu sofres, e tanto mais quanto menos compreendes."
Dostoiévski

19 de novembro de 2007

só a queda salva

O mundo de Maysa caiu.
E depois dela, mundos sem fim caem todos os dias.
Caiu o mundo da menina dos cabelos cacheados e lábios molhados sempre prontos a dar uma gargalhada. E quando ele veio abaixo, ela chorou sorrindo... E chorou, e chorou. E ele veio abaixo novamente, e ela sorriu chorando.
Caiu o mundo da pessoa bom-senso, dura consigo mesmo. E quando caiu, trouxe toda a falta de senso que às vezes é necessária para sobreviver.
Despencou o mundo do homem-menino, sempre impávido. E ainda caindo aos pedaços, revelou o quanto é perfeito ser frágil para sí mesmo.
Sentada na beira desse abismo que somos todos nós, olho pro cinza-chumbo do céu e peço para que venha a queda. Esse mundo que está prestes a cair
é pesado suficiente para não deixar sobrar nenhuma pedra capaz de incomodar sapatos.
Aquele mundo que desceu rolando antes não podia prever tamanha ironia. Não sonhava ser um ensaio para a grande queda.
Menos infelizes os que conseguem ver seus mundos caindo.
Esperar por uma queda iminente é tortura assustadora.

Pois que ele caia atravessando a rua.
Que ele caia entre um gole e outro, ao olhar para o lado e ver a sombra da confirmação caminhando em direção oposta. Endosso de que teu mundo não passa de uma obra de arte lindamente produzida para fingir ser feliz.
O homem-menino diz que tudo é escolha. Eu escolho ficar até que ele caia ao prantos.
Estranho é perceber que a dor é a única capaz de libertar.

Conta-gotas de amor mata pensando que é bom.
Não vale condicionar nosso mundo a uma gota. Gotas não nos permitem boiar.
E amor em paz é como uma tarde boiando no sol. Amor precisa de inundação.
E vem Maysa finalizando...
"Não fui eu que caí
Sei que você entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu
Eu que aprenda a levantar"

Às vezes, ela luta, luta, luta. E uma hora, no meio da briga, olha para o lado e percebe que não sabe mais nem porque está lutando.
E ela larga as armas no chão e vai embora caminhando. É quando deu tudo de si e de tão nobre que era, se tornou vã.

Ainda não foi agora. Mas ela aguarda.

18 de novembro de 2007

Eu não quero cantar pra ninguém a canção que eu fiz pra você...

14 de novembro de 2007

aos soteropolitanos de passagem

Uma vez acompanhados de pessoas pares, nunca se estará sozinho. Seja aqui, ou em milhões de voltas ao mundo. O ponto zero sempre será o ponto zero, redondinho como um abraço de amigo, que vai estar sempre pronto para a volta.
As pessoas pares não caminham sem um ombro, sem uma bússola. Se oriente... pela constelação... e ouça lá no fundo, a musiquinha que sempre te acompanhou, pra chorar com trilha: oferecimento especial de Pingolino e Valentina.

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de \"boy\"
That's over, baby!
Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...

6 de novembro de 2007

numa bulinha de papel amassada no cantinho da mesa se lia:

Um dia, você acorda e alguma coisa está diferente.
Você sabe o que mudou, mas não por quê mudou. E percebe que nem é bom querer saber.
Só sente que há algo tão bom no ar, que dá até medo de respirar muito fundo e isso se perder.
Ando sonhando. A 1100 quilômetros de distância de ti. E foi você que me fez dormir. Que me pegou no colo um dia e decidiu me embalar, mexer no meu cabelo e
cantar uma musiquinha suave olhando pra mim. Como nunca olhou, ou como nunca quis que eu soubesse que olhava.
Tenho medo de voltar e acordar. Mas também quero acordar e descobrir que o sonho não era só de olhos fechados, à distância.
Seis imagens inesquecíveis. Seis frases arrebatadoras. Seis pequenos gestos que significam muito. Seis momentos que fazem parte dessa historinha, que até agora, eu pensava escrever sozinha.
Descobri que, seja de que forma for, eu existo um pouquinho aí, assim como você tem existido um montinho aqui.
Chorei, sorri, perdi a respiração, suspirei, lembrei, desejei, mas mais que tudo, me encantei com a tua doçura, guardada a sete chaves, talvez justamente por saber ser tão doce.
E já que essa portinha foi aberta, mesmo que eu ainda não entenda o porquê. E já que me permitiu ver, ouvir, sentir. E já que... Paralizo palavras e atos torcendo para ninguém acender as luzes.
Hoje, meus silêncios falam mais que minhas palavras. Já falei demais. Só sei dizer que esse poder de me surpreender é little deli como você.
Ainda não sei exatamente o que significa o teu "No matter how long it lasts", mas desejo que não seja um boa noite sem bom dia.
Let`s go. Passar pelo espinho torna a água mais preciosa. E eu to aqui pra me molhar.
Cada dia uma gotinha. Garante vida longa ao nosso cactus. Desejo que ele cresça, forte e que fique.
Thanks for came, thanks for smiling with me, thanks for making me cry and making me laugh. It`s so beautiful see you remember.
And no matter how, it is. For us.
Somos pinguim, somos golfinho. E hoje em dia...
Kiss slumber.

4 de novembro de 2007

Trinta anos comendo pizza, e hoje descobri uma coisa que estava tão óbvia. Eu não gosto de PIZZA!
De repente, com o sol na cara, no final de uma tarde de domingo, me veio a revelação.
Inocentemente, eu comentava sobre a pizza da noite anterior e me veio aquela sensação de insatisfação, tristeza e sei lá mais o quê que me fez sentir mal.
Deprê total e a constatação de que, de fato, eu odeio pizza. Só pode ser isso, porque, de repente, senti tudo o que eu sempre senti toda vez que pedi uma.
Coisa mais ingrata.
Pois bem, devo fazer parte de mais uma minoria.
Só sei que por mais que eu ache que eu gosto da tal redondinha, sempre que estou presente no mesmo recinto que a dita, me sinto muito, muito estranha.
Será que a minha energia e a da pizza não combinam? Será kármico? Tenho a impressão que ela carrega tudo nas costas. Talvez eu precise ir mais fundo na
investigação e descobrir exatamente quais sabores me atingem. Já percebi que 4 queijos definitivamente deve ser meu complementar mórbido.
Só de pensar, chego a considerar suicídio um ato de amor.
Na verdade, acho que o processo desencadeado pela pizza no meu ser é o de decepção. Eu sempre espero muito mais da palavra pizza do que simplesmente uma massinha fina com molho, queijo e qualquer outro anexo.
Já repararam que quando alguém diz: "vou pedir uma pizza!", parece que declarou que vai salvar o mundo?
Aí é que tá. Devo ter sempre esperado a tal salvação do universo e no lugar disso, vinha a maldita.
ë bem provável que eu continue comendo pizza, até porque, algumas são realmente boas. Mas pelo menos agora sei que tipo de relação eu tenho com elas.

2 de novembro de 2007

Manifesto do "cuidado com o que pedes, pois podes conseguir" (leia em tom de protesto)

"O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes e de quem não tem mais nada...
...Ela é um poço de bondade, e é por isso que a cidade vive sempre a repetir:
Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni. Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir."
Está aberta a temporada do auto-desrespeito!
Libertemos nossas Genis. Ela vive em nós, a escondemos por uma moralidade sustentada a regras inadaptadas ao coração.
Mas coração é músculo, que vai e vem. Adapte-se, rapte-me, ó camaleão. Assuma a cor desse dinossauro em sua garganta e engula, com prazer.
Não sofra por ser feliz apenas um pouco. Transforme seu pouco no todo que merece. Corra das pedras, junte-as e construa um castelo que protegerá teus desejos.
As pedras que atiram em nós protegerão nossa loucura sã. Dê para receber.

Santo Antônio é coisa do passado, de nossas vovós. A ordem agora é louvar Santa Geni.
Comporte-se como ela uma única vez em sua vida e estarás fadado a carrega-la em seu código, em seu RG, em seu coração.
Não se arrependa, pois não há volta. Os genes serão GenIs de agora em diante. Prostituidamente amados no mais puro DNA de solidão.

Sigam-me os puros e impuros. Os que se submetem a seus sintomas de amor.

Salve!

27 de outubro de 2007

Engano - desacerto, deslize, voluntário ou não; erro de julgamento, de percepção dos sentidos; devaneio, ilusão.
Talvez a maior ocorrência entre nós, seres nem tão humanos como insistimos em nos denominar.
O engano acontece, ou é provocado, pela necessidade de acreditarmos em algo que queremos muito que exista.
Enganar não é tão grave quanto enganar-se. E este cheiro de patchouli tem tomado conta dos sentidos, trazendo uma leve sensação de conforto. À parte o devaneio olfativo que me acompanha no momento, volto ao auto-engano, fenômeno que deve matar mais que as grandes epidemias. Pois é ato concedido. Nos enganamos diariamente, à luz do dia, sem nenhum pudor de nós mesmos. E vim aqui para assumir o engano.
Me enganei. Com todo o prazer do mundo, me fiz acreditar no que queria que fosse real.
Você, ser que me acomete aos melhores sonhos, não existe de fato. Enganei a mim mesma ao atribuir a você um significado determinante para meus sentimentos. Ninguém me enganou. A não ser eu mesma. Praticamente, é como transformar teu sorriso em uma declaração de felicidade. É como ler nos teus olhos um "gosto de ti" que não passe de um "você me distrai". E é, acima de tudo, ler o teu "gosto de ti" de fato, quando o dizes, como se fosse uma grande demonstração de te considero.
Acostumem-se. Dizer qualquer coisa não significa mais dizer alguma coisa. Talvez a física quântica tenha alguma explicação para o auto-engano. Para o fato de tomarmos uma verdade que não pretendia existir como razão para seguirmos esperando.
Nada faz sentido, muito menos este texto. jogado às linhas embebido em vinho e nicotina. Porém, de acordo com aquela teoria daquela menina maluca de sentidos e sentimentos,nada é tudo, e ninguém é todo mundo. Pois, se aqui não há nada, há tudo em seu lugar. Afinal, ninguém está ou todo mundo não está?
Se eu sou e você também é. Quem deixou de ser, para que não sejamos?
Bebi. Sim, bebi. Mas não demais para deixar de saber que me enganei. E pior, sigo querendo me enganar. Porque acredito em enganos. Um doce engano. Que estava ali, na minha frente, gritando: sou um engano!.
E se existe a expressão "feliz engano", espero que este seja um deles.

17 de outubro de 2007

1992. Basicamente ontem na memória.
Achava que tudo seria tão mais ficcional. Tão mais definitivo. A placa no caminho dizia que lá na frente, muitas coisas seriam estabelecidas. E pensava comigo que não poderia haver mudanças. Depois de feito, rotulado, assinado e protocolado, nada poderia mudar.
Ledo engano. Quando me vejo caminhando pela rua, dando risada ou pensando quase a mesma coisa que pensava quando passava por uma ou outra pessoa naquele ano, percebo que na verdade, a vida e realmente um dia após o outro, com 24 horas de diferença entre eles.
O dia de hoje, muito provavelmente será igual ao de daqui a 15 anos. Uma ou outra mudança. Hoje em dia, muito mais externa do que interna.
Espero coisas diferentes, mas espero do mesmo jeito. Amo de maneiras diferentes, mas nas mesmas intensidades. O riso é mais denso, mas muito mais original.
E o olhar para o lado pensando estar fazendo algo que não devia. Esse não existe mais nem de longe. Comprar qualquer coisa no boteco da esquina me faz sair de mim por uns segundos e me enxergar como as pessoas com quem eu queria parecer. É infantil, quase provinciano. É sentimento de criança que cresceu em cidade com mais árvores que pessoas. Que comia maçã do amor no parque Farroupilha e estava protegida do mundo, naquele mundo que só quem teve infância de amarelinha com Chicabom sabe reconhecer.

Percebi a pequenice da vida quando deitada sobre o cobertor vermelho, lembrei-me de que somos sozinhos. E a solidão, essa amiga de todo filho único que tem sempre que fazer duas vozes diferentes quando brinca com seus bonecos, se apresentou a mim, estendendo sua mão quente - sim, esta solidão tem as mãos quentes - e me dizendo que estava na hora de eu tomar conhecimento de sua existência.
Quando o telefone toca em uma noite linda, e a voz digitalizada de minha mãe diz que não passa bem e precisa de cuidado, e eu, impotente, só posso dizer um "fica bem, mãe. Te cuida e qualquer coisa, me liga", soa um alarme que conclui: transformar-se em um adulto é passar a dizer frases feitas que não tem efeito prático nenhum para a própria mãe. E pior, transforma-se em um adulto é sentir falta do colo, mas conformar-se em não tê-lo. E por fim, deparar-se com a tal solidão e reconhecê-la como uma velha amiga, que te acompanhará pro resto da vida, por mais pessoas que você carregue ao seu lado. E isso, nem de longe te faz triste, pelo contrário, te acalma, por saber que essa solidão estampa o teu próprio rosto e te conhece melhor que ninguém. Essa solidão, a tua solidão, te abraça e esquenta o lugar aparentemente vazio aí do lado.

14 de outubro de 2007

Just don`t understand when it come, look like be ok, and them seems to be a dream that never happened.

7 de outubro de 2007

Isso é o quê?

Se me perguntar se te gosto como amor, responderei que sim.
Porque minha barriga esfria quando te vejo.
Minha mão treme, e meu olho deve brilhar.
Sentimentos podem ser confusos naturalmente.
Imagine, então, os que nós confundimos... Mas tem coisa que não dá para confundir.
Te ter deitada no meu colo, quietinha, abraçada como se estivesse sonhando, foi mais que um beijo, mais que cama, mais que ter ou não ter um rótulo definindo o que acontece entre nós. Prefiro os sentimentos aos rótulos. Desde que eles existam.
E se fico te olhando, não é por medo. É por querer congelar aquele segundinho em que você está ali, na minha frente, quase só pra mim.
Me deixa entrar? Vi algo se abrir por aí. Eu prometo que não desarrumo nada. Só quero sentar, te abraçar, te fazer rir, olhar no teu olho e não querer saber o que você ta pensando.
E se é um beijo que nós aproxima, que seja ele que nos convença a ir adiante. Parece ter coisas interessantes logo ali.

Que cor tem essa história? Não sei, mas preto-e-branca não é. Se é para colorir, quero giz de cera e quatro mãos.

Nesse vai e vem que são teus sentimentos, eu sei que você talvez ainda vá embora algumas vezes.
Espero apenas que deixe um bilhete.

gosto de vc

4 de outubro de 2007

respiro

Quando uma dor chega no limite, ou ela te mata ou instantaneamente ela desaparece. Quase como se você fosse uma caixa d'água e tivesse um ladrão, que quando percebe que vai transbordar, escoa o líquido que te afoga.
Todo mundo deve ter passado por isso em algum momento da vida, percebendo ou não.
Você está lá, no meio de um sofrimento abissal, tendo a impressão que não vai conseguir e, de repente, uma sensação de paz toma conta de você. Um alívio desce pelo seu corpo, e você quase sente uma brisa passando. O estômago desembrulha, a dor no peito some. E a única coisa que você consegue sentir é um agradecimento profundo ao universo por este momento de descanso.
Tudo bem que, na medida que você vai ficando escolado no setor dores emocionais, você sabe que esse momento de respiro é finito. Tem tempo para acabar. E é provável e quase certo que logo a angustiante dor volte, enfim, a caixa começa a encher novamente.

Mas, são esses momentos que nos salvam de ter um infarte ou coisa do gênero quando passamos por situações-limite. É como se o seu cérebro lhe dissesse: "Ok, intervalo de 5 minutos. Tome uma água, enxugue o suor e volte para o próximo round". O adversário é o pior de todos: Você mesmo. E sabemos que não há luta mais injusta do que contra nós mesmos, afinal, nosso adversário conhece todos os nossos pontos fracos, e ataca sem dó. Aliás, a autocrueldade é a mais potente arma de destruição.
Você, na condição de uma criança (porque é assim que ficamos quando estamos tristes), implora internamente para que esse momentinho não acabe. E fica ali, tentando nem respirar muito que é pra não mudar de posição, porque qualquer fator pode interferir na benção que está recebendo.

A sugestão é: aproveite essa sensação para fixar a imagem de como é bom quando você não pensa no problema como um problema. Guarde o ritmo dessa respiração. Reconheça o que você é e o que você representa exatamente neste momento, em que você não está contaminado por nenhum pensamento destrutivo.
A dor vai voltar, mas são esses sentimentos que você vivenciou no seu momentinho-paz que vão lhe ajudar a combatê-la com mais força. Estima-se que ela sempre volte um pouco menor, até que uma hora não tenha mais razão de existir.