O menino esqueceu de dizer que não queria mais brincar. Juntou seus brinquedos e foi embora. Bastava dizer: cansei, não quero mais. E a menina de trancinhas sentada na areia saberia que era hora de jantar.
As novelas e seus finais felizes. Tão perfeitos que a gente se nega a acreditar que são inventados.
E tomado pela aura musical de um final de novela, meu monitor, que há meses estava azul, retomou suas cores normais. Milagre? Talvez energia se movimentando pela sala.
Mas voltando à dramaturgia mentirosa, é impressionante como se consegue recuperar qualquer situação no folhetim. As pessoas brigam, se ofendem, se equivocam. E se por algum motivo se arrependem, voltam, de alma limpa, e despejam suas verdades umas nas outras. Quase sempre encontram um ser aberto a ser feliz e considerar os bons sentimentos... Doce mais doce que o mais enjoativo dos doces.
Já na vida, esta real de todo dia, cometemos erros iguais e piores que os tais personagens novelísticos. Porém, nem sempre damo-nos conta dos prejuízos, cometidos contra os outros e nós mesmos.
E alguém sabe por que razão dizemos coisas duras para pessoas que gostamos? Eu não sei.
Faço o mea culpa e percebo que de algum tempo pra cá tenho sido dura demais comigo mesma. Se alguém que gosto muito me machuca, vou lá e ME machuco mais um pouquinho. Como se não tivesse sido suficiente.
Da mesma forma, desconfio que tenho sido intolerante por vezes. Sabe-se lá por qual razão. Mas tenho sido uma pessoa diferente de mim mesma ao lidar com a dureza dos outros.
Não suporto ser acusada do que não faço, e não percebi que ando acusando demais também.
E quando percebo a troca de insultos tão desnecessários, me pergunto o por quê?
Acho que é hora de admitir e ter a decência de pedirmos desculpa.
Percebi o momento, e peço desculpas apenas por não ter conseguido mostrar que respeitava. O disco tocou ao contrário.
Não era essa a história que tinha que ser escrita. E os bons momentos são achatados por um ou dois versos maldosos trocados, ora por raiva, ora por dor, ora por simples saco cheio.
Posso falar por mim, que mesmo magoada, admito ter ido longe demais e em vez de dizer "você me machucou", tentei compreender pra salvar qualquer coisa que não era coisa nenhuma.
Não era o que eu queria dizer...nem o que queria ouvir.
Está feito e não tem volta. E isso talvez não venha mais ao caso...
Desejo dias melhores e palavras melhores, mesmo que elas nunca cheguem ao destinatário.
E é pena que percamos. De lá e de cá. Sem motivo algum que não a incapacidade de ficar quieto.
Alguma linha invisível foi ultrapassada.
Nos desculpemos, então, por passarmos por cima de uma história simpática, risonha e leve que estava sendo escrita, e que em algum momento nossas crianças internas resolveram pegar suas canetinhas hidrocor e rabiscar por tudo.
Hidrocor não pode ser apagada. Mas as folhas rabiscadas podem ser amassadas e sempre pode-se pegar outra para reescrever. Vou guardar as páginas que se salvaram...
Boa sorte, good luck, como diz a música...
So, so tired to fight
playlistinha - momentos
- Ouça o seu silêncio
2 de outubro de 2007
eu cometi, tu cometeu. nós cometemos
1 de outubro de 2007
Vou dormir no chão para ver se o desconforto substitui esse buraco no meio do estômago que me faz querer vomitar.
Mas adoro deitar no chão.
Não vai funcionar.
Melhor vomitar. Pôr pra fora a incompreensão de atitudesinexplicáveis de pessoasinexplicáveis.
Vamos à acusação: não há acusação concreta.
Você sequer ouve, não importa a verdade. Importa que você quer que a sua impressão seja a verdade.
Você condena e não revoga. Agride, agride de tal forma, que para uma pessoa comum, dessas que têm sensibilidade, seria praticamente uma auto-agressão.
O réu pede pra ser ouvido. Você não quer ouvir. Porque é mais confortável acreditar no que pensa ser a verdade. Neste ponto, voltamos a 1450 d.C., período medieval, e resolvemos o assunto às garrafadas.
Meia dúzia de vidros no chão, alguns litros de vinho desperdiçado, olhamos um para o outro e vem a questão: Por que mesmo fizemos isso?
Não sabemos. E aí está o grande ponto.
Alguma coisa acontece que nem mesmo eu, sempre disposta a explicar o sexo dos anjos, consigo decifrar. Neste momento me vem Caetano na voz de Bethânia: "Por isso uma força me leva a cantar...".
Mas que força é essa, caramba? Que coisa é essa que me faz me importar tanto com isso tudo. Por que faz tanta diferença se você pensa bem ou pensa mal? Por que não consigo simplesmente me chatear contigo e desistir de te querer por perto.
Nem eu sei. E não sei mesmo. Mas não consigo simplesmente concluir um "não sei" básico e seguir em frente. Fico procurando a ponta do novelo. E desenrolo e volto a enrolar umas 300 vezes. Nada de ponta... "Por isso essa força estranha", segue a Bethânia lá no fundo.
A pior parte é não conseguir dar nome aos bois.
Não sei, e nem posso, uma vez que não sei, nomear o que sinto.
Já tentei, e não seria difícil assumir qualquer que fosse o sentimento. Desse mal eu não sofro, se sinto, sinto e pronto.
Mas, but, aí entra em cena uma outra força. E essa não leva... Essa segura. É uma trava, que impede de tudo ser claro como água.
Às vezes, tenho quase certeza de que essa força contrária aí é o tal do "medo".
E não é o mesmo medo do outro. O meu medo é reação. Pois, se toda vez que vou conseguir identificar a "força da Bethânia" e vem de lá uma placa enorme e vermelha de "STOP", nada mais natural que os neurônios se realinhem e criem uma realidade paralela pra me proteger. E aí, então, essa merda de medo de me abrir e receber a tal invertida aparece e acaba me fazendo dar um nó no mundo.
Daí, por instinto de sobrevivência, eu finjo, para mim e para o outro, que o que eu sinto não tem nada a ver com o que eu mostro que sinto... Ou o contrário, não me peçam pra ser mais clara. Eu sei que devia ser mais clara, e eu tento, mas isso já entrou numa roda-viva. E como aqui é a oportunidade para a ficção, vou escolher ficar com as metáforas subentendidas.
Vamos apelar pra física, no que sou péssima por acaso.
Sinais diferentes se atraem. Sinais iguais se repelem.
Somos mais e menos. Portanto, por aquele motivo lá de cima que ninguém, nem eu nem você e nem a Bethânia, entende, nos atraímos.
O que acontece é que quando nos aproximamos, alguém (e nesse caso eu acho que sou eu com certeza) assume a carga do outro, tornando-se um sinal igual... Pronto, deu merda. Instantaneamente, passamos a nos repelir. Quando me afasto um pouco, retomo a carga original e consigo perceber com clareza o que deu errado. E começa tudo novamente.
E isso se dá porque pelo medo da invertida citado lá em cima, eu às vezes danço conforme o tom que você dá. E isso é outra coisa pra tentar se entender. Porém, não agora.
Agora, o que eu realmente queria era dividir o "mais" pra lá e o "menos" pra cá, e voltar a me aproximar de ti. Sem nome nenhum. Só porque é bom.
29 de setembro de 2007
Mamãe tá adolescente de novo.
Ligo despretenciosamente para saber se tudo vai bem pelos pagos de lá e ouço: "Filha, fiz uma loucurinha."
Bom, talvez para uma ex-porra-louca dos anos 60, sair com um cara que mal conhece e se divertir horrores e depois descobrir que não teve nada a ver seja uma loucurinha.
Eu ri... E achei uma delícia ouvir aquilo. Há anos não via minha mãe em estado acelerado, quase com vergonha de ser feliz.
"Mãe, aproveita e curte. Só te preserva. Porque ninguém merece decepções". Foi a coisa mais honesta que eu pude dizer com um sorriso na boca que não dava pra ela ver pelo telefone. Daí, seguiram-se detalhes, não sórdidos, mas que há séculos eu nao ouvia daquela boquinha... Mamãe estava alegre... e isso foi suficiente para que eu esquecesse as minhas decepções. Meu dia havia sido dos mais pesados e, como sempre, minha mãe veio me salvar, sem nem saber que estava fazendo isso.
Ela sempre foi assim: leve, desencanada e tentou me passar a melhor coisa que ela sabe ser na vida, uma pessoa do bem, que por mais que a sua dor seja enorme, prefere dar valor pra dor do outro.
Uma amiga sempre me diz que eu sou uma pessoa que sofre com dignidade. E se isso é verdade, devo isso à minha mãe, que deve ter milhões de faces, porque sempre que açoitam uma delas, ela se vira e oferece outra.
Critiquei muito, durante muito tempo essa atitude dela, porque não queria vê-la sofrer. Hoje, percebo que isso não é sofrer. Isso é ter a alma limpa... é sobrevivência.
Ela não vai ter câncer nunca. Já eu, ainda to aprendendo. E por mais que eu diga que não... Talvez eu queira ser exatamente como minha mãe quando eu crescer.
desculpas à toa
quando você quis, fez.
quando errou, se desculpou.
quando cansou, desistiu.
quando sentiu saudade, ligou.
quando se divertiu, sorriu.
quando não quis, mandou embora... e ainda a culpa é minha.
dois pesos e duas medidas, sempre.
quando eu... forget it
26 de setembro de 2007
Se é certo que este ano (2007) é o ano do fechamento de ciclos. Há de ser também o ano do início de novos ciclos. Sim? Me corrijam se eu estiver voando.
Portas estão se fechando, e como diz um amigo, alguma janela há de se abrir.
Pois bem, percebi uma pequena basculante entreaberta. Acho que sou capaz de passar por ela. O duro é que a tal janelinha-ventilação tem mania de se fechar antes de se poder passar com o corpo todo. Fico presa. Encalacrada. Enquanto era apenas um braço, tudo bem. Mas a tal deixou-se aberta por um tempo maior ultimamente e consegui passar 70 por cento de mim. Agora, já era. Voltar vai doer demais, afinal, já passaram os ombrinhos. Não é o que dizem dos nascimentos? A pior parte são os ombrinhos.
Não há de ser nada, vou deixando o sal de lado, quem sabe enxugo um pouco os líquidos e escorrego para dentro.
Bem sei que lá dentro está quente e confortável, e decerto há lugar pra mim.
Neste exato momento, sinto-a me pressionando. Como se me dissesse: "ei, te deixei entrar um pouco. Um pouco, eu disse. Não quero, ainda, que entre mais. Espera. Logo te deixo entrar".
Pois bem, aqui estou eu, metade dentro, metade fora, aguardando. Tenho paciência e preparo físico suficientes para a espera. Mesmo que me debata por vezes aos prantos, pensando na possibilidade de não conseguir entrar. Espero.
E convenhamos, para quem tinha as mãos destruídas toda vez que tentava apenas encostar para abrir, até que evoluí bem.
Janela, janelinha... o ano não pode terminar sem você se abrir todinha...
Tá, a rima é pobre. Vou consultar um oráculo qualquer pra ver se as palavras aqui de dentro conseguem entrar em sintonia com os próximos rascunhos de mim mesma.
25 de setembro de 2007
...Foram uns dois segundos e eu fui surpreendida exatamente pelo que esperava há tanto. E tem jeito melhor de se surpreender, senão pelo que se espera? Não sou capaz de dizer quanto durou. Apenas sei que aconteceu... E foi bom. Foi bom perceber que vinha em minha direção. Foi bom me dar conta de que não havia tempo para desviar. E ainda bem que não desviei. Foi bom encostar de leve e sentir você.
Foi bom ficar quatro segundos (não exatos, afinal quem contaria segundos naquela hora)te sentindo parada com o rosto tão perto que podia ouvir teu pensamento, e de repente ser puxada como um imã. Foi rápido, isso eu posso determinar. Mas alguma coisa tem de explicar o por que de eu, depois de lutar contra a porta, entrar em casa e ficar andando sem saber pra onde ir. Sentar na cama e me perguntar: Você tem certeza de que não é um surto de algum cogumelo alucinógino que você tem mania de comer?
Só não foi tão bom te ouvir dizer "tá tudo errado". Mas ao mesmo tempo, foi ótimo. Porque me fez responder internamente: "não, tá tudo certo. absolutamente certo".
Certo é poder dizer que sente. Ou não sente. Certo é matar vontade, ou curiosidade, ou desejo. Errado seria matar tempo. Errado seria fazer por fazer. E eu acho que nao foi o caso, foi?
Horas depois, ouço coisas que já esperavam para ser ouvidas há muito. Enfim, foram libertadas da auto-censura fulminante que te protege.
É gostoso ver você sorrir leve e se deixar levar por você mesma... Quer dar um passeio comigo?
O que se segue não mais precisa ser expresso em palavras, pelo menos não públicas. Enfim, uma briga que valeu a pena. E eu sabia que valia.
18 de setembro de 2007
Me demito.
Me demito de dar tudo o que posso. De ser compreensiva com a maldade (programada ou acidental).
Demito a mim mesma de te convencer de que falo a verdade.
Estou me mandando embora. Porque o golpe foi na boca do estômago.
Se acredita realmente no que diz, não aproveitou nenhuma chance de enxergar quem esteve na tua frente. Essa aí que você desenhou não sou eu. Se quer dar a ela o meu nome, dê. Mas não sou eu que ela representa.
Talvez ela represente a imagem que alguém deixou na sua referência. E você agora quer estampar em mim.
Me demito, de carregar o estigma de quem te fez mal. Porque eu não fiz.
Quis ser amor. Não podia. Deixei de querer ser.
Quis ser amizade. E podia. Mas tem algum muro no caminho que é mais forte que eu. Meu motor é 3,0. Mas eu devo ter esquecido o kit off road. Porque bato contra o muro e me despedaço.
Eu não sou perfeita, erro muito. Faço coisas horríveis para mim e para os outros. Mas sei pedir desculpas. Só não posso me desculpas pelo que não faço. Embora se necessário, desculpa nunca é demais se vier de dentro.
Te falta olhar pra fora. Eu sei que o mundo ai dentro deve ser lindo e com certeza mais seguro. Mas a insegurança aqui de fora pode te dar a sensibilidade para reconhecer quando alguém fala ou não a verdade. Te desejo que um dia resolvas sair daí, dar um passeio.
A gente espera do outro o que espera da gente mesmo.
Talvez por isso, eu não consiga acreditar que tua injustiça seja tua verdade.
Agora, pegou pesado. Porque botou minha palavra no vento.
Vai passar. Sei que vai.
E quem sabe quando outro avião cair, você reflita de novo sobre deixar conversas mal acabadas. É uma pena que tanta gente tenha que morrer para algumas pessoas perceberem que não sabem de tudo que acontece na vida de outras.
você não sabe o que disse. E não sabe o diz. De mim.
16 de setembro de 2007
Beijo quente, acelerado. Deixo o copo de lado.
Os braços em volta de ti. Seguro.
Sem perceber, quem me segura é você.
Para não me deixar ir?
Para não me deixar chegar?
Me segura pra quê?
São eternas palavras, olhares indo e vindo.
Alguma coisa acontece na via que vem daí para cá. Eles param de chegar.
Foi blitz? O pneu furou? A marcha diminuiu?
Meus pensamentos têm sempre o ponto de interrogação ao final.
Será esse tom da nossa música?
Ontem sonhei com você.
Falava ao telefone, baixinho, como há muito não fazia.
Sem querer te transformei em sonho.
Talvez tenha sido aí que me enganei.
Se a fada-madrinha aparecer esta noite, vou pedir para não sonhar.
Nunca mais.
Quero apenas amores que forem reais.
25 de agosto de 2007
É uma projeção de mim que se vê.
Projeto uma tentativa de esconder a fraqueza.
Desde o início, a real forma é a de um bebê indefeso, que chora e precisa de colo.
Os ossos crescem, e em volta deles, a pele envelhece.
Experimento a vida em diferentes cores e sons. Afeto alguns. Sou afetada por outros.
E o bebê continua lá, embora chore menos por pura auto-censura.
Não finjo ser forte. Não finjo suportar. Apenas suporto. Com as poucas forças que consigo determinar
que meu peito aguente para não se estilhaçar frente à dor.
Talvez você suporte mais do que realmente consiga, me diz quem muito pouco me conhece para se deixar enganar pela projeção.
Paro para pensar. Poucas declarações chegam a mim e surpreendem a esse respeito. Afinal, já teci todas as teorias. Já concluí todos os resultados.
Já determinei todas as reações para cada tipo de ação sobre mim.
O holograma que acredito projetar convence a todos. Quase todos.
E a amiga diz: O anjo que escreve o roteiro das nossas vidas deve fumar muita maconha.
Volto ao projeto de mim mesma e percebo uma falha. Um pequeno rasgo bem no centro, por onde deixei escapar o fio de luz que leva ao bebê.
Dá para ouvir um chorinho lá no fundo. Ele vive. Acordou do sono induzido pela química psíquica que derramei nos últimos 20/25 anos?
Ninguém o despertou. Mas alguém o viu passar. Reconheceu.
É assim que é?
Nos defendemos do mundo projetando imagens do que pensamos que podemos ser?
Se eu pensar que isso não me atinge, não atingirá?
Ou apenas eu não vou perceber que fui atingida.
E se eu não me deixar perceber, a dor será menor?
Ou apenas ficará acumulada no baldinho de praia de dores que todo bebê carrega na vida?
Acho que perdi as pazinhas. Cavo com as mãos. Tiro as dores do buraco e encho meu baldinho.
Depois eu jogo no mar e volto para ver o castelo bonito que construí.
Enorme castelo de areia esperando a onda vir.
22 de agosto de 2007
não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não sim não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não sim não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não sim não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não
20 de agosto de 2007
O sol hoje está deixando cair bolinhas de neve cor-de-laranja.
Se o barco tem rumo certo ou não, já não me importa mais.
Que ele siga em águas calmas, com uma onda ou outra favorecendo o balancinho gostoso que se conhece por paz-adrenalina-paz.
Ontem foi surpresa. Surpresa casual e indescritível.
O sobressalto inesperado compensou dormir na sala, depois de ter a cama inundada pela indolência de um cachorrinho safado, mas ainda assim lindo.
São esses altos e baixos, os silêncios planejados, as não respostas na hora certa para evitar equívocos, que fazem essa coisa toda ter gosto de bala azedinha, daquelas que a gente morre de vontade de morder, mas se segura só para aproveitar a aguinha na boca.
Uma hora, a gente não aguenta e morde... E que seja. Que seja mordida e se transforme em muitas balinhas na boca. Prazerezinhos que ficam conosco por todo o dia.
As bUlinhas de neve cor-de-laranja que caem do sol me lembram você.
Surpreendem quem passa, pois vêm de onde menos se espera. As bUlinhas geladas se aquecem ao sol, mas não derretem. Chegam aqui embaixo coloridas, com gosto de bala azedinha.
As bUlinhas dos teus olhos semiverdes.
As bUlinhas da espuma do café.
As bUlinhas que ficam no ar cada vez que um silêncio gostoso se põe no meio de uma conversa.
Hoje, você é o que é
Uma bUlinha de neve cor-de-laranja com gosto de bala azedinha que cai do sol sobre mim.
It has been a pleasure to know you each day. Danks.
19 de agosto de 2007
Hoje estou tentando chorar.
E quem diz que é possível?
Paro. Reconheço esse buraco vazio no meio de mim e espero uma lágrima...
Ela não vem. Mas eu sei que ela está aqui. Por que não sai?
Pra onde essas gotinhas salgadas estão indo que não para fora?
Com licença, por favor, você podem sair de mim? Eu peço.
E sei que elas nem deveriam estar aqui dentro.
Será que não estão então?
Será que essa dor é seca?
Tudo está acontecendo aqui dentro. Eu espelho lá fora, mas sei que é só aqui dentro.
Ninguém percebe. Nem quem protagoniza a história sabe.
Alguém sabe a resposta pra isso?
Como pode uma sensação física tão bem acentuada se sobrepor a sinais ora bons, ora ruins?
Ora ora, penso eu. De onde tiraste isso, LP?
Quem permitiu construir sentimentos saídos do nada?
Os sentimentos não saem do nada, eu mesma respondo. Mas quando são apenas nossos sentimentos, somos responsáveis por eles.
Mas e quando alguém pega o seu sentimento e bole com ele? Essa é a grande pergunta no meio de tantos pontos de interrogação.
Este segundo é uma bolha. Bolha de consumo. Um momento de minipaz depois de uma tormenta de sensações e questionamentos invisíveis.
Será que ando densa demais? Ando mudando o volume e a dimensão das coisas sem pedir licença ao universo.
O quilo não tem mais um quilo. O minuto passa longe dos 60 segundos.
Um simples oi tem significado um tratado e às vezes adquire o poder de determinar meu dia.
Isso não pode ser assim. Nem ficar assim. Porque ESSA não sou eu. Eu sei disso, não precisam me dizer, embora me digam a todo instante.
Eu sou aquela que ri. Que deixa tudo leve. Que acredita. Que dá a chance.
Eu sempre fui isso. Vendi isso. E comprei isso.
E é isso que eu quero dar, oferecer, presentear quem passa por mim.
Aos que passaram, eu consegui dar.
Mas de repente tem algo que passa tão devagar, que vai deixando rastro. Como em uma foto tremida, cheia de "fantasmas". Esse rastro me desafia a analisar.
Mas minha análise tem sido guiada por uma força externa. Que às vezes me conduz por um caminho claro, com cor. E do nada, aperta o interruptor e me deixa no escuro.
Devo analisar isso também?
Hoje, não é sobre você. Hoje é sobre mim.
Mas preciso te solicitar, pois a resposta está presa aí.
Por que você faz o que faz? Por que vai e depois vem? E quando vem, por que não fica?
Responde em código, mas responde.
Responde na lata, mas responde.
Apenas responde.
Não tem mais espaço para não resposta.
CARALHO, não há mais espaço para não resposta.
(Se ainda não percebemos, é melhor que saibamos que estamos conduzindo um mesmo barco. É preciso que mostremos nosso planos de percurso. Não por curiosidade ou por comprometimento, mas apenas por parceria, por respeito próprio.)
A gente pode entrar num barco sem saber pra onde se quer ir. Mas não se pode entrar num barco sem querer entrar. Portanto, já entramos, e sabemos que entramos, vamos navegar.
*Tenho um apego por metáforas. Mas é bom que se considere essas usadas aqui como o mais próximo da realidade. Sim, é com você mesma que estou falando.
17 de agosto de 2007
Quero perguntar, mas não sei se quero ouvir a resposta.
Paro ou continuo?
Tens algo bom pra me dizer?
Diga.
Às vezes é bom ouvir coisas boas. Só pra variar um pouquinho.
Finge que não perguntei, apenas diga.
Diga o que vai por aí.
Te faço sentir? Qualquer coisa que seja.
Balanço algum pêndulo aí?
Uma coisa bonitinha a meu respeito e meu dia seria completo.
A minha parte que bate contra o teu muro já não tem tanta força.
Vai se esvaindo a cada "nada".
De repente se fortalece, sabe-se por qual motivo.
E eu sigo. Continuo. Insisto.
E não é pura insistência. É um querer mais que bem querer. (já se ouviu isso antes, em letra de música)
Às vezes danço contigo, a mesma valsinha. E do nada, me pego dançando sozinha.
Pisco um olho, e estás na dança novamente. Depois, desaparece.
Aonde vai? Onde vai parar?
Por que danças comigo vez que outra se a música não te agrada? Me pergunto.
E aí, penso que agrada sim. Só não sabes dizer. Ou não quer dizer.
E por quê? Por que será?
Tens a resposta?
Se tens, pode me dizer?
Se não tens, pode compartilhar a dúvida comigo?
Pega a minha mão e me diz pra onde devo caminhar.
Se me disser: "para longe". Tentarei ir.
Se me disser: "para perto". Eu fico.
Só não me deixa mais sem saber. Eu peço.
Que eu morra, mas morra sabendo o por quê.
Dança comigo?
14 de agosto de 2007
Ainda absorvo os olhares não desviados.
As palavras trocadas, às vezes em compulsão, às vezes em contingência.
Ainda te leio e por vezes te escuto, ao longe, falando baixo.
E como te despes dessa força que só olhos muito mal preparados acham que é real.
Sim, eu ainda acredito no que deixou escapar nas noites aquelas.
Me puxou pra perto e disse sem falar que eu podia entrar.
E mesmo que a porta se abra apenas quando você quer, é bom saber que ela se abre.
Meu olho fala demais, tagarela. Não nega o risquinho de felicidade quando te vê.
E o riso? Tem jeito de rir mais gostoso que isso? Se tem, esqueceram de me contar.
As frases soltas ao mesmo tempo são regidas por sei lá eu quem. Mas não importa, existem.
Penso na diferença, mas me salta aos olhos a semelhança.
E me disse certa vez: "Não te referes nunca a mim com suavidade".
Não? É certo que pensavas assim?
Volta no tempo, nas horas, no vento. E discursa pra mim o meu primeiro texto.
As longas conversas começadas em uma hora qualquer de uma madrugada qualquer chegaram sozinhas, suavemente, como são teus passos.
Daqui e dali, tornou-se natural te ouvir ou ler antes de dormir, ou acordar para te ler e voltar a dormir.
A surpresa e o susto do anúncio de mensagem podiam roubar o sossego, mas trazem uma paz quase como se fosse um abraço.
E é isso. Que eu seja um abraço pra você.
Que você venha quando precisar dele.
Ou de mim.